CRÍTICA: Coincidências do Amor

Comédia
// 16/09/2010

Jennifer Aniston, a única atriz de Friends que conseguiu prosseguir com força na carreira após o fim do seriaddo, retorna, novamente, em uma comédia (romântica, claro), agora ao lado de Jason Bateman. Coincidências do Amor, que chega amanhã às telas nacionais, tem uma boa estrutura, mas sofre amargamente por não aproveitar o que tem com um roteiro que se encaminhe melhor.

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Coincidências do Amor
por Gabriel Giraud

Um bom drama numa roupagem de uma comédia romântica meia-boca. Coincidências do Amor (The Switch) pode ser resumido assim, já que a trama tem um caráter dramático e um alto potencial de ser um filme reflexivo e sério. Kassie (Jennifer Aniston) quer ter um filho de modo “independente”. Ela procura um doador que parece ser o ideal, mas seu melhor amigo Wally (Jason Bateman), completamente bêbado, adultera o… material doado. Kassie engravida e sai de Nova York para criar seu filho, mas volta depois de sete anos e reencontra Wally.

Embora o título brasileiro seja isso que nem vale a pena ser adjetivado, o filme tem construções de personagem muito fortes. Vale a pena ressaltar o menino Sebastian (Thomas Robinson), que tem um carisma e realmente faz um garotinho muito reflexivo; um personagem muito rico e com forte apelo – ainda mais nessa moda geek. No elenco, temos também Jeff Goldblum como o chefe e amigo de Wally, Leonard (com ótimas pontuações), e Juliette Lewis, que faz a amiga de Kassie, Debbie (um pouco over demais, deixando a desejar).

O roteiro instiga em suas intenções de cena, mesmo que ele seja previsível. Os nós da trama dão vontade de serem vistos e são imaginados com uma grande expectativa. No entanto, as cenas principais do filme não imprimem uma alta qualidade visual e as falas corriqueiras parecem ter tido mais atenção do que as de ápice de cena. A tempo de fazer justiça: a fotografia, mesmo sendo em high-key (cores claras), faz jus a uma qualidade técnica tradicional e vai além no que concerne movimentos de câmera. Sem peripécias vazias em sentido, mas justa.

As piadinhas são boas, mas não é por isso que essa comédia vira comédia. O filme tem certo tônus dramático que poderia ser mais explorado e mesmo vendido o longa como um Pequena Miss Sunshine (cujos produtores são os mesmos) ou um Hora de Voltar. Há espaço para reflexão, ou mais do que isso: o tema grita por essa reflexão. Uma questão parecida com a da “produção independente” foi feita no filme Baby Love (Comme les Autres, de Vincent Garrenq, França, 2008), sobre um homem homossexual que deseja ter um filho, mesmo que seu parceiro seja contra. A comicidade, mesmo bastante presente, não se mostrava como empecilho para uma reflexão. Além disso, os tempos de Coincidências do Amor são um pouco rápidos demais, o que, mesmo num blockbustercomo esse, pode se tornar uma armadilha na aprovação do filme.

Apesar de muito carisma e pouco trabalho narrativo, o filme deve agradar muita gente. A história é envolvente e engraçada. Por outro lado, algumas pessoas podem não gostar de muitas coisas. Os fãs de Jennifer Aniston, por exemplo, devem saber de antemão que o protagonista é claramente o personagem de Bateman. Assim, quem gosta de tipos neuróticos, com respostas prontas e tiques e manias, vai adorar o Wally. Mas talvez deteste a resolução com a qual ele enfrenta seu medo. E, principalmente, a maneira (não muito bem explicada) de como Wally se transforma em mais um “cara alfa” guardando seu lado geek. Essa incompatibilidade promete gerar antipatia ao filme.

Coincidências do Amor vai levar o espectador a um clima de Nova York muito leve e sem ares de cidade grande. Ver o filme sem prestar atenção aos encadeamentos é uma boa dica para gostar da história. Agora, se ninguém se empolgar muito com o filme, não será mera coincidência.

The Switch (EUA, 2010). Comédia romântica. Imagem Filmes.
Direção:
Jorma Taccone
Elenco: Jennifer Aniston e Jason Bateman

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance