CRÍTICA: Como Treinar o Seu Dragão

Animações
// 25/03/2010


Tudo bem, Como Treinar o Seu Dragão é um bom filme. Está longe de ser um filme ruim, prende o espectador e aposta na magia dos dragões e na mitologia nórdica para agradar ao publico. Porém,  é normal sair do cinema com aquele gosto ruim na boca e aquela sensação de que faltou algo.

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Como Treinar o Seu Dragão
por Eliezer Carneiro

Já faz tempo que animação deixou de ser sinônimo de “coisa para criança”. E esse é o grande trunfo e o grande problema de Como Treinar o Seu Dragão. A animação é muito bonita, com uma história que aposta na ação e nas aventuras e, fato consumado, deve agradar às crianças em cheio; mas não tenho dúvidas de que teria sido um lançamento muito mais promissor se fosse lançado há 10 anos.

O grande incômodo que o filme deixa é perante o público mais velho, o mesmo que tem assistido a grandes animações nos últimos anos. Algumas delas, como Shrek, Ratatouille e Wall-e, constaram em todas as listas de melhores filmes em seus respectivos anos de lançamento, afinal, as animações alcançaram um patamar no qual além de serem diversões para toda família, são filmes inteligentes que colaboram com a indústria audiovisual – comercialmente e qualitativamente.

A história deste gira em torno de Soluço, um viking que não se parece com um viking, já que, ao contrário de todos os outros homens do seu vilarejo, ele não tem porte físico e muito menos destreza para participar da eterna luta entre os membros do lugar e os dragões. Por isso, ele é tratado com frieza pelo seu pai, que é justamente o chefe da aldeia, e pelos outros jovens da sua idade. Até que um dia, ao testar um de seus inventos, acaba por acertar um dragão e, ao sair para procurá-lo, acaba fazendo contato com o bicho.

Como Treinar o Seu Dragão, não é um Shrek, tampouco um Wall-E. Apesar de ser uma atração para todos, a aventura é inevitavelmente voltada para as crianças e neste ponto ele acerta em cheio. Tudo é muito colorido e os personagens são bem interessantes já no ponto visual – o requisito mínimo para convencer os menores dentro do cinema. Para complementar o trabalho já mastigado, há o velho clichê do pai e filho que não se entendem e o do menino que quer ser herói, mas, menos inoportuno, tudo de uma forma muito bem trabalhada.

No fim, os momentos de fartura visual e divertimento totalmente saudável de Como Treinar o Seu Dragão são um produto eficiente em agradar o seu público alvo e consegue passar uma mensagem realmente útil para as crianças através de um protagonista que sempre procura o dialogo e o entendimento do desconhecido mundo dos dragões, contrapondo-se de maneira maniqueísta (e aqui isso é um ganho) aos vikings que só entendem a linguagem da guerra. O grande problema é o tal gosto âmago na boca que fica ao fim da sessão. Quem já se acostumou aos deslumbres da Pixar e aos eventuais longas memoráveis como A Viagem de Chihiro, espera sempre ser surpreendido, o que infelizmente não acontece no novo produto animado da DreamWorks.

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How to Train Your Dragon (EUA, 2010). Animação. Aventura. DreamWorks Pictures.
Direção: Chris Sanders, Dean DeBlois
Elenco: America Ferrera, Jonah Hill, Jay Baruchel, Gerard Butler, Christopher Mintz-Plasse

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