CRÍTICA: Compramos um Zoológico

Críticas
// 22/12/2011

Cameron Crowe retorna ao Cinema com um produto cujos principais elementos são um palco para sua melhor qualidade. Entretanto, Compramos um Zoológico escorrega feio em não desenvolver seus personagens e em muitas vezes soar piegas, ainda que apresente momentos tocantes.

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Compramos um Zoológico
por Vicky Salles 

Lidar com a morte de um ente querido é uma das coisas mais difíceis pela qual uma pessoa pode passar.E a dificuldade maior não está no momento imediatamente após o falecimento, mas sim no dia a dia. Como voltar a sua rotina sem poder dividi-la com a pessoa que você ama? Como continuar a vida sem sucumbir à sensação de vazio que se alastra no peito? Como confortar seus filhos sendo que você mesmo não consegue achar conforto? Essas são as grandes questões que Compramos um Zoológico, do diretor Cameron Crowe, tenta responder.

O longa conta a história de Benjamin Mee (Matt Damon), um jornalista que tenta reunir forças para seguir a vida após a morte de sua esposa e cuidar de seus dois filhos: a meiga Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e Dylan (Colin Ford), o filho mais velho com quem seu relacionamento nunca foi muito bom. Como forma de recomeçar a vida, Benjamin decide que é hora de mudar de casa. Assim, ele e Rosie saem à procura da casa perfeita, com um bom quintal e uma vista bonita. Eles encontram uma propriedade um pouco afastada da cidade que é exatamente tudo o que eles queriam, mas com um pequeno problema: o terreno é um zoológico abandonado e quem comprar a casa tem também que arcar com as despesas dos animais e funcionários. Motivado pela felicidade da filha ao brincar com alguns dos animais, Benjamin acaba comprando a casa e começando assim o que ele chama de uma nova aventura, salvando não só a vida dos bichos como também a dos empregados apaixonados pelo lugar.

Depois de passar seis anos longe dos cinemas, Cameron Crowe volta às telas trazendo consigo o mesmo tema de seu último filme – o não muito aclamado Tudo Acontece em Elizabethtown. Ambos lidam com a morte e com protagonistas que precisam superar suas próprias dores para ajudar o resto de sua família. A principal diferença, entretanto, está no fato de que no primeiro filme o personagem de Orlando Bloom lidava com suas dores de maneira muito mais direta, seja levando as cinzas de seu pai no banco da frente do carro ou tentando se suicidar criando uma máquina que o esfaqueie enquanto pedala. Já Matt Damon executa em Compramos um Zoológico um dos seus melhores papéis na pele de Benjamin Mee justamente por seu personagem tentar, sem muito sucesso, esconder seu sofrimento.

Sempre movido pelo desespero e pela tentativa de fazer tudo melhorar, Benjamin vê no zoológico e em alguns de seus animais uma chance de redimir a culpa e descontar a frustração que sente pela morte de sua mulher e está disposto a pagar qualquer preço – literalmente – para que seu novo empreendimento tenha sucesso. No processo, cenas como Benjamin recriando para seus filhos seu primeiro encontro com a esposa ou aceitando a morte de um dos seus animais trarão lágrimas aos olhos até de quem não costuma chorar em público.

No longa, Crowe faz o que sabe melhor: contar a história de um grupo extraordinário de pessoas ordinárias. Porém, apesar de algumas passagens inspiradas – como quando Benjamin finalmente consegue rever as fotos da esposa e suas memórias ganham vida – o excesso de sentimentalismo do filme beira ao clichê em diversos momentos, com uma quantidade absurda de cenas do sol nascendo e se pondo que mesmo que tenham utilidade narrativa são bem bregas. Já a maioria dos personagens secundários, que deveriam ser a alma do filme, são rasos e acabam passando despercebidos, sem deixar nenhuma marca. A impressão que o roteiro adaptado do livro homônimo e escrito pelo próprio diretor passa é a de que seriam precisas duas horas a mais de filme para que este pudesse se desenvolver melhor e dar a todos os seus personagens a profundidade que mereciam.

Compramos um Zoológico é um filme que apela para o lado emocional, especialmente de quem já passou pela perda de um parente querido. Mas, se você está esperando que o longa seja a volta triunfal do diretor de Jerry Maguire e Quase Famosos, pode ser que as lágrimas nos seus olhos sejam de decepção.

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We Bought a Zoo (EUA, 2011). Drama. Fox Filmes
Direção: Cameron Crowe
Elenco: Matt Damon, Scarlett Johansson, Elle Fanning
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Críticas, Drama