CRÍTICA: Controle Absoluto (Eagle Eye)

Ação
// 25/09/2008

Baseado numa história do diretor Steven Spielberg (que assina a produção), o frenético Controle Absoluto (Eagle Eye) estréia amanhã em circuito nacional. Misturando muito do que já foi visto no cinema acerca da tecnologia moderna e inteligência artificial, o longa se destaca por utilizar o que nós temos hoje como argumento. E convence. Confira a crítica!

Controle Absoluto
por Arthur Melo

A modernidade gerou uma semi-dependência humana pela tecnologia. Economia de tempo e abundância de comodidade são as engrenagens que inventam e obsoletam as formas de praticidade que visam o conforto. Cada vez mais preocupados em substituir o homem pela máquina, os avanços tecnológicos se integram e visam obter uma tamanha complexidade que os hábitos de qualquer pessoa comum passam a ser coordenados em função de chips e circuitos. Mas quando este sistema tão completo vira uma arma letal contra os mesmos cidadãos comuns que o projetaram, a ameaça virtual promove danos reais.

Fugindo de lugares comuns de um futuro próximo, Controle Absoluto (Eagle Eye) se materializa solidamente no contexto atual e eleva ao ridículo a banal brincadeira de quebrar sigilos telefônicos. Bem situado e programado no presente, a rede de intrigas e esquemas rápidos se concentra na possibilidade de usar a tecnologia atual para espionar, acumular informações e bolar planos de destruição massivos. Essa quebra de protocolo do que é tão amplamente visto no cinema, com sistemas automáticos futuristas, meios de comunicação e de transporte ultramodernos, não cabe nesta fórmula.

Partindo de uma idéia brotada na mente do produtor Steven Spielberg, Controle Absoluto ficou um bom tempo na geladeira esperando um amadurecimento externo que só veio dez anos mais tarde. Spielberg, querendo criar uma atmosfera de pânico pós-sessão – como o feito em Tubarão –, entendeu que, para não soar irreal e amplamente fictício, deveria aguardar para que a ciência moderna alcançasse o calcanhar do seu projeto e melhor servisse de plano de fundo para o enredo em vista. Monitoramento vinte e quatro horas por dia, diversas redes de comunicação interligadas e até sistemas de tráfego, não são conceitos que, há uma década, poderiam ser suspeitos de colaborarem para a arte do crime. Mas Jerry Sham (Shia Labeouf) e Rachel Holloman (Michelle Monaghan) são meros peões destas quinquilharias capazes de encontrar e eliminar o mais esperto dos indivíduos.

Despreocupado em perder tempo criando acessórios e reinventando designers, o longa se destaca ao usar todo o contexto cibernético só para sustentar uma trama que renova o fôlego. Por mais que o suspense diminua, mais arriscadas são as tensas tarefas executadas por Labeouf e Monagham para salvarem a si e aos que amam – numa química em cena boa parte possibilitada pelo melhor da espontaneidade de Shia – bem como mais instigantes se tornam as investigações encabeçadas pelo humor negro de Billy Bob Thorhnton e seu Thomas Morgan.

Isento de explorações das artimanhas da computação gráfica, o filme presenteia a ação com perseguições técnicas e físicas, utilizando os efeitos digitais apenas quando necessários. Contudo, a perda dos hábitos do gênero cinematográfico – ainda que não se estenda até o fim – em que se inclui a produção só se confirma na não efetivação de um romance que parecia iminente, atribuindo naturalidade e relação de respeito entre os personagens, o que sobrepõe qualquer outra forma de sentimento.

Dentro de todas as conformidades, Controle Absoluto recicla algo que já podia ser sentindo em blockbusters como Eu, Robô (2004), só que simultaneamente bem mais próximo do real e do virtual. A comparação entre o exemplo de um exército robótico e um poder bem mais acessível e distribuído entre todas as zonas e classes possíveis é um forte indício de que, apesar da famosa máxima de um controle por parte de uma inteligência artificial ainda estar evidente no cinema, o foco de ataque mudou para aquilo que está próximo do indivíduo seguindo-o dia-a-dia. Uma aposta menos chamativa, de fato; porém muito convincente.


Eagle Eye (EUA, 2008). Suspense. Ação. Universal Pictures.
Direção: D.J. Caruso
Elenco: Shia Labeouf e Michelle Monaghan

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