CRÍTICA: Coração Vagabundo

Biografia
// 01/08/2009

Hoje chega a crítica do documentário Coração Vagabundo ao Pipoca Combo. No filme, apesar dos pesares – citados aqui no texto -, Fernando Andrade documenta algumas idéias, músicas e relações de Caetano Veloso. Com simplicidade, Fernando vai se perdendo e ultrapassando os moldes dos clássicos documentários para fazer um breve retrato de Caetano.  Para ler a crítica, clique em

Coração Vagabundo
por Henrique Marino

Coração Vagabundo teve estreia já há uma semana e alvoroçou a imprensa com uma rápida mas clara cena de nudez de Caetano Veloso. O alvoroço que o filme poderia causar para aí; não se trata de documentário primoroso e tampouco interessante para quem não tem afinidade com a figura de Caetano. Aos que o apreciam, não deixa de ser um bom passatempo de pouco mais de uma hora – praticamente um episódio de séries da BBC.

No entanto, a comparação com um episódio de série de BBC não passa do tempo de duração. A qualidade fílmica não é lá essas coisas. Como é comum das produções brasileiras, Coração Vagabundo não se destaca pela fotografia, pelo contrário, contém sérios problemas aí; até maiores que outros documentários conterrâneos, porque, apesar dos altos, tem sérios baixos no conceito das imagens.

Despretensioso, o diretor decidira apenas por um recorte enfocado num momento da vida do cantor, sem ser biográfico. No entanto, não é assim que o filme se mostra. Talvez por medo ou humildade; assim diminuiu o seu trabalho, Fernando Andrade. A priori, poderia ser só um retrato da turnê internacional de Caetano realizada para o fortúnio disco A Foreing Sound – em que o cantor interpreta sucessos da música estadunidense.
Porém vai além.

Seu enfoque não para nos shows, nem na relação que Veloso constrói com a turnê e com as cidades por onde passa; o diretor corre atrás de depoimentos como os de Almodóvar e Antonioni, grandes diretores por que a voz de Caetano já soou no cinema internacional. E avança; extrai depoimentos do próprio cantor, que expõe suas opiniões sobre assuntos como a velhice, a música – americana e brasileira –, a religião e seu poder incorpóreo – poder utilizado igualmente por artistas, afirma –; também solta a língua sobre assuntos pessoais e triviais, tais como sua relação com a língua inglesa e o aspecto da comida japonesa.

Desmistificado assim pela câmera de Fernando Andrade, Caetano é apresentado como outro personagem, diferente do comumente visto na mídia: chato e senil. Um personagem bastante simpático, cheio de sorrisos, e, por outro ângulo, tímido e um pouco acanhado pelo ambiente das capitais estrangeiras.
Se a imprensa se alvoroçasse pela simplicidade e humanidade com que Caetano é desvendado, ela – quem sabe – teria sido mais sincera.

nota_7

Coração Vagabundo (Brasil, 2009). Documentário.
Diretor: Fernando Grostein Andrade
Elenco: Caetano Veloso, Pedro Almodovar, Michelangelo Antonioni

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