CRÍTICA: Coraline e o Mundo Secreto

Animações
// 11/02/2009

Os olhos pararam de direcionar um pouco o Oscar de Melhor Animação nestas última semanas para apreciar o novo (e belíssimo) trabalho de Henry Selick, Coraline e o Mundo Secreto, animação em stop-motion que estréia nesta sexta-feira pela Universal Pictures. Cheio de alusões à O Estranho Mundo de Jack, Coraline encanta pela beleza em contraste com o horror por baixo dos deslumbres do “Outro Mundo”. Confira a crítica!

Coraline e o Mundo Secreto
Por Débora Silvestre – crítica e colunista

Assim é… se não lhe parece

Essa é uma boa frase pra definir Coraline e o Mundo Secreto, novo longa de Henry Selick (O Estranho Mundo de Jack, 1993), que estréia na próxima sexta, dia 13 de Fevereiro. Coraline é uma esperta e entediada menina de 11 anos que acaba de se mudar com seus pais para uma casa nova, no Oregon, chamada de “palácio rosa”. Eles trabalham demais e não lhe dão a atenção que ela deseja, e devido ao tédio, ela passa a acreditar que a vida poderia ser muito melhor e muito mais divertida. Seus desejos parecem se realizar quando ela encontra uma portinha secreta para um mundo mágico, com uma nova casa, novos vizinhos e novos pais que fazem tudo o que Coraline quer. Porém, no auge da felicidade, a menina descobre que nem tudo que reluz é ouro e que o suposto palácio rosa do outro mundo poderia ser, na verdade, um castelo dos horrores.

O filme é baseado no best-seller com o mesmo nome, de Neil Gaiman, que afirmou que sua motivação ao escrever o livro era “expressar que, certas vezes, as pessoas que nos amam podem não nos dar toda a atenção que precisamos, e certas vezes aqueles que nos dão toda a atenção necessária podem não nos amar de maneira saudável”. E é isso que se passa com Coraline. Depois de viver aquele sonho que se transforma em pesadelo, ela vê que as pessoas que não eram aparentemente tão encantadoras, eram as que a estavam protegendo, e que de fato, a amavam. Como as vizinhas que lêem sua sorte e avisam que ela corre grande perigo. Entretanto, como todos são extravagantes e aquele novo mundo encanta a protagonista de sobre maneira, ela desconsidera todas as recomendações, desenrolando, assim, o filme.

Coraline e o Mundo Secreto iniciou sua pré-produção em 2005, e a direção de arte e o storyboarding vieram em primeiro lugar, para que cada personagem e cena fossem logo visualizados. O estilo de animação que sempre esteve na mente de Selick é o stop-motion, ou seja: criam-se bonecos, coisas tangíveis que são fotografados, de maneira que, quando o filme é projetado, tenha-se (no mínimo) 24 fotogramas por segundo deles; mesma de O Estranho Mundo de Jack e James e o Pêssego Gigante. Não é à toa que o novo filme do diretor americano faz diversas alusões ao primeiro, como a cena em que a menina passeia pelo jardim do outro mundo e passa pela ponte daquele, a qual não tem como não lembrar do personagem Jack Skellington. A “nova-mãe” despeja a gema de ovo numa vasilha que forma a imagem do mesmo personagem.

A animação é uma obra-prima que fica muito mais deliciosa se assistida em 3D. Com certeza, um forte candidato ao Oscar de melhor animação em 2010. Na tela do cinema, os dois mundos de Coraline ganham vida de forma espetacular e nos fazem pensar sobre o nosso próprio mundo e um suposto mais feliz.

Coraline (EUA, 2009). Animação. Universal Pictures.
Direção: Henry Selick.
Elenco: Dakota Fanning, Teri Hatcher, Keith David.

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