CRÍTICA: Corrida Mortal (Death Race)

Ação
// 16/10/2008

E daí que quando acabam os seriados de TV, os quadrinhos e os livros, o que resta a Hollywood? Ou bolar uma idéia genial para atrair o público ou fazer uma refilmagem de algo que deu certo há uns aninhos atrás. É, a tentativa foi frustrada porque Corrida Mortal, que estréia amanhã no Brasil, merecia continuar apenas como um filminho de Sessão da Tarde da década de 70. Leia a crítica!

Corrida Mortal
por Arthur Melo

Provavelmente um filme cujo diretor que até o momento só tenha realizado produções que se provaram fracassos de bilheteria e verdadeiros parques de diversão para a crítica despencará pela mesma montanha-russa. Apesar de vez ou outra surgir algum espetáculo que se mostre superior ao esperado das mãos destes profissionais, Corrida Mortal vem para reafirmar o pensamento anterior e não passar do relativo quanto as suas qualidades.

Dirigido pelo que pode ser considerado abaixo do mediano Paul W.S. Anderson (Alien Vs. Predador), o filme se esforça para se sustentar em cenas de ação que, mesmo não sendo descabidas, caem no desgosto. Preocupada em preencher a fita com perseguições arriscadas, a trama se inicia com o final do real personagem central numa seqüência de explosões e tiros sobre quatro rodas sem qualquer apuro para excitar os ânimos.

O ano é 2012, os Estados Unidos vivem o pior momento da crise financeira (sugestivo), aumentando o desemprego e exponenciando a criminalidade. Se aproveitando da situação, empresas passam a controlar as penitenciárias com intuito lucrativo, promovendo diversas atividades violentas entre os presos para atrair o público em transmissões de TV nos mais sangrentos reality shows da Terra. A história propõe um contexto próximo do real e o desgasta com um roteiro medíocre em que a única surpresa é o quão previsível ele pode ser.

Jensen Ames (Jason Statham) é um ex-piloto de corrida que passa a trabalhar numa metalúrgica após perder a carteira. Com o advento da crise americana, Jensen é demitido e no mesmo dia tem sua mulher assassinada em sua casa numa armadilha para incriminá-lo. Ames é levado para uma prisão de segurança máxima controlada pela impassível Warden Hennessey (Joan Allen), onde passa a assumir a identidade de um corredor morto durante a carnificina que são as etapas da Corrida Mortal, num circuito do interior da própria cadeia.

Os motivos que levam Jensen a aceitar a tarefa de piloto semi-suicida são típicos: a liberdade e chance de recuperar a guarda da filha. É dada a largada para uma série de rachas entre os carros incomuns, recheados de armamentos nocivos que mais funcionam como um atrativo para os espectadores que acompanham as corridas pela TV do que como armas para se ganhar a corrida. Ao redor estão diversas falhas em despertar o interesse da platéia real. Ainda que os cortes esperem o momento certo para se efetivarem e haver um mínimo de coordenação para enquadrar o essencial, Corrida Mortal estaciona bem longe do impressionante. Não há sequer uma montagem de encher os olhos e a agressividade das perseguições parece só querer salientar a violência humana entre os presidiários, sem recair sobre os seus papéis de pilotos altamente capazes de realizar as mais absurdas manobras com o volante.

Contrariando a expectativa dos produtores, nem mesmo o elenco tem algo a acrescentar à moral do longa. Os já experientes em papéis mais dramáticos, Joan Allen e Ian McShane (o treinador), não passam de figuras icônicas para situar as características da história: a vilã imune e soberana e o técnico companheiro disposto a dar a vitória para o seu comandado. Entretanto, a nova estrela dos filmes de ação, Jason Statham, se sai bem ao protagonizar pancadarias fora das pistas e, problemas à parte, a segunda unidade da produção até merece algum crédito por permitir que a física faça a maior parte do trabalho, deixando a computação gráfica apenas para os realces.

Falho e imperceptível, Corrida Mortal não se capacita ao menos para reutilizar frases prontas ou criar algumas que funcionem, mas soube se valer de algum surto de lucidez para detonar uma dispensável lição de vida com a formulação de uma piada externa que só se dá na prévia dos créditos finais.


Death Race (EUA, 2008). Ação. Universal Pictures.
Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Jason Stathan, Joan Allen, Ian McShane

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