CRÍTICA: Deixe-Me Entrar

Críticas
// 27/01/2011

Adaptações, mudanças, pontos de vista. Exceto “adaptações”, Deixe-me Entrar não tem nada dentre os citados. O longa é, apenas, uma refilmagem quase idêntica, sem nada a declarar por si só. Ao menos tem a Chlöe Moretz (Kick-Ass e (500) Dias com Ela) mostrando o porquê de chamar tanta atenção com pouca idade.

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Deixe-Me Entrar
por Arthur Melo

Quando a criatividade se esgota, surge a preferência por caminhos alternativos. O cinema comercial há muito já demonstrou gostar de se aventurar por essas rotas. Mas o que parecia ser um atalho para lucros satisfatórios terminou se provando um labirinto cheio de facetas. Hoje, a inventividade hollywoodiana cede seu espaço para as ideias “estrangeiras”. Pena que o faça de tanto mau grado.

Não que seja um crime adaptar uma outra obra. Pelo contrário, seu uso é sempre benvindo e, quando feito de forma moderada e bem pensada, nada mais é do que uma variação das fontes de produção. O momento, agora, é marcado por uma insistência tão grande em recorrer ao que já está pronto que erros como Deixe-Me Entrar começam a brotar com frequência. Mas este caso é ainda mais contundente.

O longa é uma adaptação do sueco Deixe Ela Entrar, que narra a história de um menino que faz amizade com uma vampira de aparentemente 12 anos, a qual passa a protegê-lo e ensiná-lo a lidar com o bullying sofrido na escola.

Em uma análise fechada e totalmente centrada em Deixe-me Entrar como o filme que é, problemas não há; não muito grandes. O roteiro tem poucos furos e facilita de forma gratificante o desenvolvimento da relação entre os protagonistas. Já a direção de Matt Reeves, apesar de não fazer feio, poucas vezes chama atenção graças ao intuito da produção de se prender ao longa sueco, o que revela ser a grande pedra no sapato deste.

Para uma adaptação deste tipo (filme para filme) ser feita, há uma série de motivos em pauta. O caso é que Deixe-me Entrar apenas desmascara uma possível resistência americana em receber produções de níveis relativamente elevados de fora. É o que já vem sendo visto nas incansáveis refilmagens de longas de terror japoneses, espanhóis e um ou outro draminha ou comédia água com açúcar europeu. Não há qualquer evolução, interpretação ou versão dos fatos. A cópia é quase autenticada em cartório.

Incapaz de estabelecer o mínimo de novidade, o filme recorre ao sustento no jogo bobo de uma fotografia manjada nas escolhas da paleta de cores e da iluminação para criar tensão no primeiro ato menos sangrento e nas incríveis atuações de Chlöe Moretz, como a vampira Abby, e Kodi Smith-McPhee, como o amedrontado Owen (quase idêntico a Nicholas Hoult em Um Grande Garoto, de 2002); com o peso maior sobre as costas da sempre firme Moretz.

O maior erro de Deixe-me Entrar não se vê na tela. A princípio, não consta como ponto a favor ou contra. No entanto, é um investimento de duas horas sem muito retorno para quem já constatou a superioridade de uma obra original. Mesmo sendo muito mais próximo à mitologia dos sanguessugas do que qualquer franquia destes elementos em vista, está à sombra do pecado de chamar de referência aquilo ao qual imita.

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Let me In (EUA, 2010). Terror. Suspense. Paramount Pictures.
Direção: Matt Reeves
Elenco: Chlöe Grace Moretz e Kodi Smith-McPhee
Trailer

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Críticas, Suspense, Terror