CRÍTICA: Divã

Comédia
// 15/04/2009

O cinema nacional passou muitos momentos errando. Seja na hora de produzir alguma coisa que preste culturalmente, ou que tenha fôlego para levar o próprio público aos cinemas. Ao que parece, a tendência, dando uma breve olhada nos últimos sucessos brasileiros, é se apoiar no tino em atrair a massa, ao invés do foco cultural. Se esse é o intuito, pelo menos tem acertado. O tom novelístico de Divã, que estreia nesta sexta-feira no Brasil, é uma das armas para fazer valer a aposta do cinema nacional. E, pelo resultado do longa, uma boa bilheteria deve sair. Confira a crítica completa e saiba o porquê.


Divã
Por Débora Silvestre

Lilia Cabral, protagonista da comédia Divã, afirmou no Fantástico do último domingo (12/04/2009) que o filme é, na verdade, uma história de amor. É verdade. O longa de José Alvarenga Jr. surpreende em muitas coisas, inclusive no fato de ser melhor que o livro ou a peça, homônimos e predecessores do mesmo.

Composto por boa técnica “telenovelesca” (afinal, a Globo Filmes fez a produção do filme), esse lembra sim uma novela das oito, não apenas pelos atores, como José Mayer, Reynaldo Giannechini e Cauã Reymond, mas também pelos cenários, qualidade de imagem e outros que consagraram a telenovela brasileira o sucesso que é hoje, sendo exportada e reconhecida em qualquer lugar do mundo. Mérito dela e da Rede Globo, claro. Entretanto, o filme vai além de um episódio novelesco de 90 minutos no cinema; há momentos muito intimistas e muito bonitos que emocionam e fazem o espectador pensar e voltar mais para si, coisa que a telenovela, por ser produção de massa, não consegue.

A peça ficou três anos em cartaz e era bem mais divertida e leve que o filme, apesar de muitas pessoas se emocionarem e chorarem. Porém, era coisa para se pensar que elas eram muito sensíveis. O filme tem um tom mais intimista e emocional, mas não abandona as boas piadas, fazendo a plateia rir e se identificar com determinada cena, logo após ter levado a mão ao queixo e pensado sobre aquilo que fora interpretado. Divã consegue misturar muito bem as emoções, e cada um responderá de acordo com o que está vivendo, podendo rir ou chorar bastante, ou mesmo passar indiferente.

A peça ainda desenvolve mais certas questões (como a morte de um querido), mas o filme trata tão bem e com uma carga emocional tão grande bem elaboradas as cenas em close, que mexe com o espectador e emociona muito mais que aquela, e se alguém cair em lágrimas, não será criticado como extremamente sentimental – Daniel Filho, outro famoso cineasta brasileiro, afirmou certa vez que ninguém resiste a uma cena assim bem feita.

Pode-se afirmar que a indústria cinematográfica brasileira é composta hoje por alguns tipos, como: biográficos (Olga, Cazuza – O Tempo Não Pára e Zuzu Angel), sociais (Cidade de Deus, Tropa de Elite) e comédias românticas (Se Eu Fosse Você 1 e 2 e A Dona da História). Divã entra nesta última categoria, que o Brasil vem desenvolvendo muito bem, mesmo que seja próximo de novela (visto que Se Eu Fosse Você 2 bateu as bilheterias de filmes hollywoodianos). Divã é leve, gostoso, emocional, divertido, dramático. É bonito. É uma linda história de amor.

Divã (Brasil, 2009). Comédia. Sony Pictures.
Direção: José Alvarenga Jr.
Elenco: Lília Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini, Cauã Reymond, Alexandra Richter.

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance