CRÍTICA | Django Livre

Ação
// 17/01/2013

Com uma indicação ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Filme nas mãos, Django Livre, novo longa de Quentin Tarantino, demonstra que o diretor voltou mesmo à boa forma desde Bastardos Inglórios. Com um filme divertido graças aos diálogos, elenco e várias nuances dos personagens, o diretor dá novamente a chance de termos algo para aguardar no futuro: o seu comentado longa que misture Bastardos Inglórios e o atual Django.

Django Livre
por Breno Ribeiro 

É muito estranho quando um único personagem chama sua atenção coberto por vários outros e por diálogos, cenas e atuações marcantes. Não que o filme não valha a pena sem ele, mas sua função na história e todas as questões trazidas por ele são tão complexas e intrigantes que é possível até duvidar que Quentin Tarantino tenha pensado em tudo isso ao escrever e dirigir seu mais novo filme, Django Livre.

O longa se inicia com o personagem-título (Jamie Foxx) sendo liberto pelo dentista/caçador de recompensas King Schultz (Christoph Waltz) para ajudá-lo no assassinato de uma família de capatazes da antiga fazenda onde Django trabalhava. Os dois se tornam amigos, e Schultz decide ajudar Django a conseguir a liberdade de sua mulher Broomhilda (Kerry Washington), que agora é escrava na fazenda do poderoso Calvin J. Candie (Leonardo DiCaprio).

Pra quem gosta (há quem não?) dos diálogos rápidos e cheios de sublinhas de Tarantino, esse é um excelente filme. As conversas entre Schultz e Django são excelentes e multidimensionalizam os personagens. Schultz é contra a escravidão, mas não pensa duas vezes antes de matar um homem na frente do filho; ao passo que Django, sedento por vingança e movido pela busca da liberdade da mulher, tem um bom coração e questiona alguns “ensinamentos” do dentista. Mas quem chama mesmo a atenção é o escravo/mordomo de Candie, Stephen (vivido por um irreconhecível Samuel L. Jackson). Enquanto Django aproveita sua liberdade e deseja conquistar a da esposa, Stephen gosta de ser uma espécie de “escravo de elite” e demonstra realmente amar Candie. Nada mais será revelado ou seria spoiler demais para o filme, mas Stephen é, mais do que Candie e qualquer outro capataz, o grande antagonista da história ao lado dos numerosos e pavorosos flashbacks do roteiro. Com uma trilha que mais uma vez foge do óbvio dos dias de hoje, o longa se torna ainda mais apoteótico com o uso das músicas em italiano (numa clara referência aos antigos spaghetti western da década de 60).

Apesar de Foxx parecer confortável no papel do escravo liberto, são as atuações de Waltz e DiCaprio que chamam a atenção. Novamente a parceria Tarantino-Waltz dá bons frutos, uma vez que o ator parece se sentir ainda mais confortável com o roteiro e a direção de Tarantino. Contudo, DiCaprio chama a atenção justamente pela entrega ao personagem e sendo capaz, ainda, de balancear a vilanice e caricaturagem de Candie a ponto de fazer o público achar que ele está sendo realmente injustiçado por Schultz e Django, o que por si só já configura a injustiça da não-indicação dele ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. É uma pena, então, que tenham escalado uma atriz tão inexpressiva e sem sal quanto Washington para viver a sofrida Broomhilda.

Com pitadas do já conhecido humor “tarantinesco”, Django Livre diverte e até mesmo faz pensar (a discussão sobre escravidão é bem interessante). O melhor de Tarantino? Não mesmo, mas nem de longe o pior. E mesmo se fosse o pior, seria melhor do que o melhor de muito diretor por aí.

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Django Unchained (EUA, 2012). Ação. Sony Pictures.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz

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Ação, Críticas