CRÍTICA | Doutor Estranho

Ação
// 02/11/2016
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A expansão do Universo Cinematográfico Marvel avança mais um degrau com o lançamento do décimo quarto (!) longa passado na ambientação compartilhada por Capitão América, Thor, Homens de Ferro e -Aranha e tantos outros. Dotado de estética e efeitos visuais impressionantes, Doutor Estranho tempera com psicodelia o formato já um tanto desgastado dos filmes baseados nos personagens da editora de quadrinhos outrora conhecida como a “Casa das Ideias”.

Em uma era de aparente falência criativa generalizada por parte de uma indústria de entretenimento de massa desesperada por franquias que rendam o máximo de sequências, remakes e reboots possível, um dos grandes trunfos do já estabelecido gênero de “filmes de super-heróis” é a gigantesca variedade oferecida pelo material a ser adaptado. Afinal, os quadrinhos oferecem histórias que vão das elucubrações adolescentes de Peter Parker/Homem-Aranha às complicações cósmico-divinas enfrentadas pelo deus do trovão Thor e pelos Guardiões da Galáxia, passando pelas tramas de espionagem e sabotagem armamentista que envolvem Capitão América e Homem de Ferro. Isso se ficarmos apenas com os exemplos da Marvel, que mantém com folga a liderança frente à rival DC Comics no que se refere ao desenvolvimento de um universo para seus personagens na tela grande.

Capitaneado pelo diretor e roteirista Scott Derrickson, cuja trajetória inclui filmes de terror como O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade, além do morno remake sci fi O Dia em que a Terra Parou, Doutor Estranho coloca o ótimo Benedict Cumberbatch na pele de um doutor Stephen Strange que segue a “Cartilha Downey Jr” do protagonista charmoso, irreverente e confiante, numa abordagem que parece já ter virado praxe nos filmes dos Estúdios Marvel.

Cirurgião competente e bem-sucedido, Strange vê seu mundo virar de cabeça para baixo após um acidente que danifica os nervos de suas mãos de forma aparentemente irrecuperável, o que o torna incapaz de desempenhar as operações delicadas essenciais à profissão. A busca por reabilitação física o leva até Catmandu, no Nepal, onde, com a orientação de Mordo (Chiwetel Ejiofor, de 12 Anos de Escravidão), Wong (Benedict Wong) e a Maga Suprema conhecida apenas como Anciã (a sempre maravilhosa Tilda Swinton), o cético doutor descobre a existência de forças e realidades muito além do que acreditara até então – mesmo vivendo em um mundo onde caminham deuses nórdicos e monstros musculosos verdes.

O estofo místico e espiritual que permeia o enredo possibilita que Doutor Estranho se apresente como possivelmente o “filme de super-herói” mais impressionante em termos técnicos e visuais a ser produzido por qualquer estúdio na última década e meia. A influência estética – e filosófica – de obras como Matrix e A Origem é evidente, e levada a novos e deslumbrantes patamares. O filme investe pesado na ação, e, visualmente, vacila apenas na caracterização dos vilões Kaecilius (Mads Mikkelsen, criminosamente mal aproveitado) e Dormammu. Nos momentos mais calmos, Cumberbatch conduz competentemente interações que oscilam entre o tom cômico (que às vezes chega a ser excessivo) e o drama não resolvido da relação de Strange com a doutora Christine Palmer (Rachel McAdams), que segue o modelo Thor de priorizar a criação de expectativas para eventuais sequências.

Desprovido de falhas significativas, bem como de grandes inovações, o segundo filme da chamada Fase Três do Universo Cinematográfico Marvel – após Capitão América: Guerra Civil – sinaliza a chegada do inevitável momento em que a inventividade é colocada em segundo plano em relação à continuidade de um projeto. De forma semelhante ao que ocorreu com Guardiões da Galáxia, de 2014, as referências e ligações do longa com a ambientação compartilhada com os demais personagens da companhia são tênues e até mesmo soam algo forçadas, mas, obviamente, há uma cena durante os créditos que garante a conexão. Pro bem ou pro mal, é mais um passo sólido dos estúdios Marvel no cinema. Sua vez, DC.


Doctor Strange (EUA, 2016). Aventura. Marvel Studios.
Direção: Scott Derrickson
Elenco:
Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Tilda Swinton, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen

7-pipocas


 

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Ação, Críticas, HQ's