CRÍTICA: Dragonball Evolution

Ação
// 10/04/2009

Estreou hoje a adaptação cinematográfica da famosa e adorada série de mangás e animes Dragonball. Mas teria o filme o mesmo apelo entre o público que os originais tiveram anos atrás? Leia a crítica abaixo e confira se o filme funciona ou não.

Dragonball Evolution
Por Breno Ribeiro

Há um certo ditado que diz que algumas obras presentes em certos meios não deveriam jamais ser adaptadas para o cinema. Não existe, contudo, muita verdade em tal afirmação. O mais correto seria afirmar que há trabalhos mais fáceis de serem transportados para um meio mais ‘compacto’ e outros difíceis e, portanto, mais facilmente fadados ao insucesso. O que acontece na maior parte das vezes é os próprios produtores, roteiristas e diretores compartilharem da idéia que abre o texto e não se entregarem de todo a um projeto mais complicado. É o que aparentemente acontece com o recém-lançado Dragonball Evolution.

O longa, adaptado do mangá e anime de nome similar (a palavra ‘Evolution’ não consta no original), conta a história de Goku (Justin Chatwin, regular), um jovem de dezoito anos que, para salvar o mundo do espírito vingativo do extraterreste Piccolo (James Masters), tem que correr contra o tempo a fim de reunir as setes esferas do dragão do título.

Com apenas uma hora e vinte de filme, os roteiristas James Wong (também diretor do longa) e Ben Ramsey não conseguem jamais estabelecer um ritmo ideal à narrativa que se torna arrastada ao meio da projeção e acelerada demais ao fim. Além disso, nunca ficam claras as intenções dos personagens, como o próprio Piccolo (por que ele queria as esferas para destruir o mundo se sem elas ele já seria capaz disso?), o quase figurante Yamcha, que parece entrar para a busca dos objetos sagrados como alguém aceita um convite para um passeio no campo, e a aparentemente muda Mai. Com isso, o maniqueísmo atribuído ao filme se torna muitas vezes incômodo, como se os escritores não esperassem que percebêssemos as falhas colossais a que somos obrigados a presenciar.

Com um roteiro já péssimo em mãos, Wong decide aprimorar ainda mais a arte do script ao encaixar sequências em slow-motion desmotivado e criando cenas de lutas que de tão cheias de cortes que se tornam confusas. Palmas também para a equipe de efeitos visuais do filme, já que não éramos agraciados com total falta de tato desde dezembro, quando Crepúsculo entrou em cartaz. São efeitos e cenários computadorizados que não convencem em momento algum do longa e ainda se tornam cataclismicamente piores no clímax do projeto.

Diante de tantos erros (dentre eles a contratação da inexpressiva Emmy Rossum para o papel de Bulma), o maior acerto do longa recai justamente na vontade de querer se mostrar diferente do original no que diz respeito à aparência de seus personagens, já que, convenhamos, seria no mínimo bizarro presenciar um Goku com um cabelo daquele tamanho e uma Bulma de cabelos totalmente azuis. Muito embora haja tudo isso, Dragonball Evolution se mostrou um sucesso no oriente e já garantiu uma continuação. Assim, estamos diante de uma nova saga cinematográfica que, a contar pelo primeiro, tem tudo para ser campeã de vários Framboesas nos próximos anos.

Dragonball Evolution (EUA, 2009). Ação. 20th Century Fox.
Direção: James Wong
Elenco: Justin Chatwin, Jamie Chung, Emmy Rossum, Joon Park

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