CRÍTICA: Eclipse

Críticas
// 29/06/2010

Chega às telas o terceiro capítulo da Saga Crepúsculo, um dos filmes mais aguardados da primeira metade de 2010. Definitivamente melhor do que os dois longas anteriores, Eclipse finalmente pega no tranco, apesar de ainda não se sustentar como uma produção de requintes em tantos de seus aspectos.

Com um pouco de desconforto devido ao alvoroço que essa Saga causa, realizou-se dia 28 ao fim da tarde, após a vitória do Brasil sobre o Chile, a cabine de imprensa do terceiro e penúltimo filme da Saga Crepúsculo. Dispensável dizer a importância – econômica – que é este lançamento; mas para tudo o mais, confira a exclusiva crítica de Eclipse.

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A Saga Crepúsculo: Eclipse
por Henrique Marino

Finalmente a Saga parece ter encontrado o seu tom; conquistou aquela consistência que tanto lhe faltava e reparou alguns erros que eram, no mínimo, risíveis, como os efeitos especiais e certas cenas constrangedoras pela falta de senso – de ridículo – da direção. Tudo indica que a série subiu ao patamar dos blockbusters

David Slade, o terceiro diretor a pôr as mãos na seqüência, conseguiu unir naturalidade com ficção – o que passou longe em Crepúsculo – e deu fluidez às tramas, que agora se misturam num vai e vem mais harmônico. O diretor, que vinha trabalhando com thrillers, saiu-se bem nesse gênero tão diferente, e acabou por imprimir uma pinta bastante hollywoodiana ao drama meloso de Bella e Edward, que sofria seriamente nas más adaptações.

O novo roteiro mescla romance, ação e comédia nos momentos certos. É a composição desses elementos, bem distribuídos na linha do tempo, que torna a película mais ágil. A ação, agora com um suporte melhor de efeitos especiais, é mais aceitável, além de ter um desenvolvimento próprio e delicado. A trama se propõe a contar como Victoria arma um exército de novos-vampiros para matar Bella numa tentativa de vingar-se de Edward; em defesa da protagonista, os Cullen e a alcatéia de Jacob se unirão. Essa é a linha da história que anima ao roteiro e que faltava, ao menos nesta mesma intensidade, nos outros dois filmes da saga.

O humor aparece tímido, mas, pouco forçado, suaviza a difícil história e é capaz de conquistar alguns sorrisos – outra falta das demais produções.

Acima de tudo, mas agora bem dosado, temos o romance de Bella e Edward, com a interferência cada vez mais marcante de Jacob, que luta pelo amor da protagonista e completa o triângulo amoroso. A bifurcação entre os dois garotos se faz notória neste capítulo, e denuncia o discurso da autora sobre amor. Jacob é posto como uma opção fácil e de comodidade, até mesmo mais carnal, mas é por Edward que Bella está irremediavelmente apaixonada, e ele representa a retomada daquele velho amor romântico, de cortejo e abstinência sexual; também traz consigo o símbolo da relação difícil e que precisa ser construída aos poucos, visto que há grandes diferenças entre o casal. É interessante pensar que ainda existe espaço para essa romanização, apesar de inserida numa obra antenada na cultura atual.

Ainda no núcleo das relações da protagonista, a crítica tem questionado a rivalidade que a personagem é capaz de criar entre os dois monstrinhos lindos, mesmo sendo ela uma adolescente antipática e insossa. Observando a questão mais a fundo, percebo que parte do sucesso da Saga advém dos defeitos da protagonista: se ela fosse tão virtuosa quanto a crítica reivindica, seria impossível para uma adolescente, em toda sua insegurança a respeito das relações sociais e amorosas, identificar-se com qualquer personagem da trama. As qualidades de Bella são, antes de tudo, um diálogo em tons de autoajuda entre público e autora.

O filme apresenta progresso em relação aos anteriores, mas ainda falamos da Saga Crepúsculo. Isso é um aviso, na verdade, para quem leu a crítica até este ponto. O progresso é recorrente do desenvolvimento desses três filmes, mas, de modo algum, podemos elevar demais esta obra. Para quem acompanha a séria cinematográfica apenas para se manter atualizado, mas não gostava do que era feito, deve estar ciente de que a essência da história não muda e, portanto, os problemas, nesse quesito, continuam presentes.  A maturidade – justificada pelo público alvo – ainda é bastante prejudicada; a direção também não é perfeita, erra a mão em determinadas cenas, principalmente na execução do tempo e exagera nos clichês; também os artifícios do roteiro são claros a um olhar mais perscrutador.  Deste modo, deixo sobreavisos os que se empolgaram com as críticas positivas.

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The Twilight Saga: Eclipse (EUA, 2010). Fantasia. Romance. Paris Filmes
Direção: David Slade
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner.

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Categorias
Críticas, Fantasia, Romance