CRÍTICA: Encontro Explosivo

Ação
// 15/07/2010

Com seu orçamento grande, mas nem tanto (117 milhões de dólares), Encontro Explosivo não aparenta custar mais nem menos que isso. Há cenas de ação e efeitos visuais de boa qualidade, locações variadas e todo o carisma que se pode comprar de dois astros de Hollywood. E um tempero extra: uma relação amorosa em primeiro plano. Vendido como uma fita de ação com muita comédia, o filme de James Mangold surpreende com esse algo mais.

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Encontro Explosivo
por Pedro de Biasi

Encontro Explosivo, o novo veículo dos astros Tom Cruise e Cameron Diaz funciona em duas frentes: como um romance e como um misto de ação e comédia. June Havens (Diaz) está viajando para participar do casamento de sua irmã, e conhece Roy Miller (Cruise) no aeroporto. Depois de um bocado de conversa, assassinatos e um pouso forçado em um milharal, a mulher descobre que o cara boa-praça que acabou de conhecer é um agente secreto. Pior: ele é procurado pela própria CIA, que diz que ele está louco. June deve decidir se tenta, a todo custo, fugir dos perigos que Roy arrasta atrás de si, ou se o segue de bom grado nessa fuga insana.

Um dos maiores acertos é manter a história simples. Apesar de uma ou outra reviravolta, o roteiro de Patrick O’Neill nunca perde de vista os interesses de cada personagem. Também é interessante o modo como as cenas de ação são filmadas:  o diretor James Mangold evita o slow-motion, diferenciando as perseguições e lutas de quase tudo que tem sido feito no gênero. A pretexto da costumeira montagem confusa – quando, na verdade, ela é muito fluida –, o diretor deixa as capotagens e explosões no fundo, sempre dando destaque aos diálogos e atores. Mais importante, o romance é o carro-chefe da narrativa.

Nessa época, em que realizadores gostam de enfiar historietas de amor em filmes que simplesmente não precisam delas, é honesta a escolha de O’Neill. Começa muito bem, pois em quinze minutos de projeção, June já lascou um beijo em Roy. Infelizmente, esse aspecto tão importante acaba incompleto. A maior parte dos momentos em que o casal está discutindo ou desenvolvendo a relação está atrelado à comédia, enfraquecendo e banalizando o romance. Se a proposta era inserir uma trama realmente amorosa, seria melhor vê-la cumprida com justiça.

Mesmo assim, os personagens são bem construídos. Roy Miller tem sempre algo de “off”, brincando com June sobre os tripulantes do avião, batendo papo no meio de uma perseguição automobilística ou pensando no romance quando Simon tem algo importante a lhe contar. Isso ajuda a manter a dúvida quanto à confiabilidade do espião. Mangold, mais uma vez, faz a diferença ao reconhecer os poucos momentos em que os amantes estão em sintonia, em lindas (e românticas) cenas noturnas de calmaria.

As duas estrelas dão conta do recado. Cruise, na verdade, encontra o tom correto do personagem e não faz nada além, mas passa longe de comprometer o clima descontraído. O destaque, mesmo, vai para Diaz, seja dando hilários ataques de pânico ou percebendo gradualmente que, por uma série de motivos, não pode mais se afastar de Roy. Em poucas cenas, Viola Davis, como a diretora da CIA, e Paul Dano, como Simon Feck, conseguem criar figuras interessantes, e se Peter Sarsgaard pouco se esforça, pelo menos traz um leve ar de cinismo.

Tanto no romance irregular quanto nas ótimas tiradas com filmes de espião, o diretor consegue ressaltar o que o roteiro tem de melhor. E esta é mais uma grande qualidade que não se vê com frequência.

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Knight & Day (EUA, 2010). Ação. Comédia. 20th Century Fox.
Direção: James Mangold
Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz, Viola Davis

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Categorias
Ação, Comédia, Críticas