CRÍTICA: Enrolados

Animações
// 15/01/2011

Chega aos cinemas uma animação da Disney em 3D sobre um dos contos dos Irmãos Grimm mais famosos. Até aí, não há novidade nenhuma. É com esse sentimento de “já vi isso antes” que o espectador entra no cinema. Mas, definitivamente, Enrolados (Tangled) consegue se destacar em meio a essas várias animações que lotam as salas de cinema.

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Enrolados
por Eduardo Mercadante

Hoje em dia, quando o público-alvo de animações – em geral, crianças e seus responsáveis – vê um cartaz de um novo longa, a primeira coisa que ele procura é a tão famosa sigla “3D”. A tecnologia de terceira dimensão pode ter sido novidade nas sessões de Pequenos Espiões 3D ou Sharkboy e Lava Girl anos atrás; no entanto, atualmente, é quase regra. Um fator que contribui para essa banalização é o preço consideravelmente mais alto das salas equipadas para rodarem tais filmes. Este é um atrativo ao qual grandes distribuidoras como a Walt Disney Pictures não podem resistir. Ainda assim, um dos pontos positivos de Enrolados é o próprio 3D. A qualidade dos gráficos é de encher os olhos. Optando por cores vivas e cenas bem iluminadas, além da excelente definição de todas as plantas na vasta floresta e dos fios dos longos e brilhantes – de verdade – cabelos de Rapunzel, o filme justifica desde o início o valor do ingresso.

Na história, uma velha feiticeira, Gothel, acha uma flor mágica, que tem o poder de rejuvenescer quem cantar para ela. Como a rainha estava muito doente e grávida, acabam achando a flor de curando a rainha, que tem uma filha, Rapunzel, cujos cabelos dourados como o sol têm o mesmo poder da flor. Então, Gothel rouba a princesa e a tranca numa torre. O rei e a rainha passam a lançar anualmente várias lanternas flutuantes – balões – no aniversário de Rapunzel, na esperança de que ela os ache. Em seu aniversário de dezoito anos, Rapunzel decide pela primeira vez sair da torre e ir ver de perto as luzes que apareciam no céu todo ano em seu aniversário, na companhia de seu melhor amigo camaleão e de Flynn Rider, um ladrão em fuga.

Dirigido por Byron Howard, conhecido por Bolt- Supercão, e Nathan Greno, em seu primeiro longa, Enrolados destoa de outras grandes produções do gênero ao fazer jus à sua posição na categoria infantil. Ultimamente, para fazer com que as animações sejam agradáveis para as crianças e responsáveis que as acompanham, tem-se optado por tiradas mais adultas – predominantes em filmes como Megamente – e uma ou outra piada acessível, para manter a atenção dos pequenos. Enrolados, contrariando essa corrente, faz uso o tempo todo de soluções fáceis para o riso. No início, isso pode parecer tedioso ao público mais crescido; porém, depois de um tempo, acostuma-se à sua atmosfera. Apesar de ser cheio de clichês, o roteiro de Dan Fogelman (Carros e Bolt) cumpre o papel de apresentar uma animação fácil de se assistir; a “moral da história” não é foco. A proposta é ser um filme infantil de grande qualidade gráfica – missão cumprida – e ter uma simples, porém diferente, tomada em um dos maiores clássicos da literatura infantil.

Enrolados, bem ao estilo clássico da Disney, tem os pontos mais importantes do roteiro pontuados por canções. E, felizmente, todas são do padrão de qualidade do estúdio. Além de se encaixarem na história sem soarem artificiais, as execuções musicais são bem integradas ao visual, como, por exemplo, em uma das sequências iniciais em que a tela escurece e Rapunzel e Gothel ficam entrando em foco.

O espectador pode entrar na sala de cinema com a sensação de “já vi isso antes”, mas o roteiro acessível, aos poucos, acaba conquistando. E, uma vez entregue, é só relaxar e desfrutar dos ótimos gráficos e músicas tão condizentes com o previsto em uma produção da casa do Mickey. Apesar de distante de algum prêmio relevante, Enrolados firma-se como uma ótima animação.

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Tangled (EUA, 2010). Animação. Walt Disney Pictures.
Direção: Byron Howard e Nathan Greno
Trailer

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Animações, Críticas