CRÍTICA: Espelho, Espelho Meu

Críticas
// 05/04/2012

Espelho, Espelho Meu é um dos exemplos da atual corrida hollywoodiana por remakes, em especial, de desenhos animados. Para muitos, isso é reflexo de um período de baixa criatividade. Para outros, uma oportunidade de recontar as mesmas histórias, só que numa realidade diferente e com técnicas diferentes, reinventando as obras.

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Espelho, Espelho Meu
por Eduardo Mercadante 

Baseado na versão adaptada pelos estúdios de Walt Disney (é, inclusive, o primeiro dos grandes clássicos da Disney, tendo estreado em 1937) da história dos Irmãos Grimm, o filme acompanha Snow (Lily Collins), uma princesa cujo pai (Sean Bean) se casa com uma terrível madrasta, identificada apenas como a Rainha (Julia Roberts), e desapareceu após adentrar a floresta para enfrentar o terrível monstro que atacava viajantes. O reino foi levado à bancarrota pela Rainha que só se preocupava em manter o status de mulher mais linda do mundo, e que se recusava a se casar com qualquer pretendente, até a chegada do galente e rico Príncipe Alcott (Arnie Hammer). Snow, que sempre foi mantida trancafiada no castelo proibida até de participar dos bailes reais para que o mundo não visse sua beleza e esquecesse de sua madrasta, foge do castelo num dia e encontra na floresta o príncipe e seu lacaio, que haviam sido rendidos por uma trupe de “gigantes” salteadores – na verdade, são anões em pernas de pau. Desenvolve-se, então, a busca de Snow pelo coração do príncipe e pela salvação do reino de seu pai. No entanto, para isso, ela terá de enfrentar a Rainha e seu alter ego que, aprisionado num espelho mágico, realiza feitiços e dá poções a ela – não sem o devido custo.

Dirigido por Tarsem Singh, responsável pelo recente Imortais, o longa mostra mais uma vez qual é a maior característica do diretor. Seu nome não é, nem de longe, um dos mais respeitados da indústria, provavelmente porque seus filmes têm sido focados em um público-alvo muito restrito. Nem Mirror Mirror (no original), nem Imortais se preocupam em atrair espectadores que normalmente não os veriam.

Para o público brasileiro, a forma mais clara de se definir essa produção seria um trabalho conjunto de Xuxa e Didi em Hollywood. O romance atemporal do desenho da Disney é substituído por sentimentos caricatos – talvez aliviar a pressão sobre os atores, que se mostram perfeitas caricaturas –, e o alívio cômico se dá por meio de um Nathan Lane que faz rir, mas com piadas antigas; dos anões, perfeitos para qualquer episódio de As Aventuras do Didi, e por meio da Rainha de Julia Roberts, que deixa no ar a pergunta “Ela ganhou MESMO um Oscar?”. Pode ser que a culpa não seja por completo dos atores, e sim do fraquíssimo roteiro de Jason Keller e Melissa Wallack. Não há como ignorar, por exemplo, que tenham alterado o conceito do espelho mágico da Rainha sem dar nenhum tipo de explicação ou desenvolvimento, exigindo uma abstração estupenda do senso crítico para engolir essa personagem totalmente sem sentido.

Em se tratando de técnica, Espelho, Espelho Meu é um fracasso. Entretanto, é necessário que se tenha em mente que cinema é Arte, e está, pois, diretamente ligado a sentimentos. Essa máxima é essencial para se entender Espelho, Espelho Meu – não em sua composição teórica, mas em seu resultado prático. Gostar ou não do longa é, em último caso, uma questão estritamente subjetiva – porque, imparcialmente, é um ultraje à magia do original e à inteligência do espectador.

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Mirror Mirror (EUA, 2012). Fantasia. Relativity Media.
Direção: Tarsem Singh
Elenco: Julia Roberts, Lily Conlins, Armie Hammer, Sean Bean

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Críticas, Fantasia