CRÍTICA: Esquadrão Classe-A

Ação
// 10/06/2010

Baseado em uma série homônima dos anos 80, Esquadrão Classe-A chega aos cinemas em uma adaptação anabolizada. Há pancadaria, explosões, tiroteios e perseguições em uma escala descomunal, do começo ao fim. Não existe a menor preocupação em respeitar as leis da física, apenas a tentativa de criar as mais mirabolantes e divertidas sequências de ação imagináveis. Como uma fantasia louca, o filme funciona e diverte tanto quanto se afasta da realidade.

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Esquadrão Classe-A
por Pedro de Biasi

Coronel Hannibal (Liam Neeson), Tenente Face (Bradley Cooper), Sargento Baracus (Quinton “Rampage” Jackson) e Capitão Murdock (Sharlto Copley) são veteranos do exército norte-americano. Isso não impede que se reúnam para realizar missões não-autorizadas, usando métodos pouco ortodoxos e ignorando ordens superiores. Resumindo, operam na corda bamba entre “secreto” e “ilegal”. Quando alguém lhes arma uma cilada no Iraque, eles fazem de tudo para limpar seus nomes.

Uma das falas de Hannibal ajuda a caracterizar o filme: “As pessoas subestimam o exagero” (em inglês, ele usa o termo “overkill”, bem auto-explicativo). No entanto, a frase traz mais que um clima ou a proposta, mas toda uma filosofia que encabeça a trama e os personagens. Em outro momento, Hannibal e Face estão discutindo a logística de uma operação já realizada. Eles chegam à conclusão de que ela era ao mesmo tempo improvável e aleatória, e isso acontece o tempo todo. Até a Tenente Sosa (Jessica Biel) menciona que eles são “especializados no ridículo”.

O notável é como o filme abraça esses absurdos melhor que a série Carga Explosiva ou Duro de Matar 4.0. Enquanto estes se limitam a mandar o realismo pelos ares e, no máximo, comentar uma ou outra manobra tresloucada, Esquadrão Classe-A dá voz à insanidade das missões que o time planeja. E provavelmente extrapola muitas das cenas de ação mais estapafúrdias já feitas. A ideia é fazer um pacto com o espectador para ele se divertir sem ter que esquecer que está assistindo a 120 minutos de pura bobagem.

Para completar, os planos são explicados de uma maneira descontraída, mesmo que dependam de muita sorte e de habilidade sobre-humana. Uma ótima sacada foi editar o planejamento alternadamente com a execução, para deixar claro que o time vê tudo como uma brincadeira. Neeson, Cooper, Copley e Jackson colaboram muito, pois estão se divertindo com os absurdos e não escondem isso com expressões de tensão.

Como não podia deixar de ser, alguns momentos sérios desviam da proposta. Até certo ponto, isso é bom: os veteranos operam segundo preceitos e códigos oficiais, mas sem o consentimento dos superiores, dando sempre de cara com a repulsa a essa insubordinação. Porém, estão, até o último minuto e em todas as reviravoltas da trama, acima do sistema, manipulando-o para fazê-lo funcionar direito. Mais ou menos como quando Murdock tenta desfibrilar uma ambulância. Se eles só deixam de ter um plano em um momento, era o único em que caberia alguma pausa na irreverência.

Na direção, Joe Carnahan também erra a mão, adotando o método Michael Bay de filmar e deixando muitas das (excelentes) sequências de ação incompreensíveis, além de abusar de pequenos flashbacks para lembrar de cenas passadas há poucos minutos. Mesmo assim, esses defeitos não destroem a experiência. Esquadrão Classe-A é orgulhoso de seus exageros e honesto para com o público. Uma boa alternativa para o cinema de ação, cada vez mais grave e realista: diversão pura e insana.


The A-Team (EUA, 2010). Ação. 20th Century Fox.
Direção: Joe Carnahan
Elenco: Bradley Cooper, Jessica Biel, Liam Neeson, Sharlto Copley, Quinton Jackson

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Ação, Críticas