CRÍTICA: Eu Sou o Número Quatro

Ação
// 14/04/2011

Eu Sou o Número Quatro é um pouquinho complicado. Não é ruim, mas também não é tão bom. Não surpreende, mas não entrega uma história totalmente forçada. No máximo, é um romance regado por pitadas de ficção que enrola bem até o seu final.

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Eu Sou o Número Quatro
por Arthur Melo

Se há algo bem difícil de se sustentar hoje, esse algo é a neutralidade perante alguns títulos lançados semana após semana nos cinemas. Gêneros se reciclam da maneira mais literal possível: resgata para se fazer a mesma coisa, com uma textura às vezes pior. Quando preguiçoso, um filme pode apenas reunir alguns recortes do que já deu certo um dia – há muito tempo – mas sempre escolhendo o pedacinho mais batido. Filme adolescente segue bem essa linha.  E aí é impossível, por mais sensato que se possa ser, evitar ser preconceituoso. O que pode causar algumas quebradas de cara também. Eu Sou o Número Quatro, está bem no meio disso tudo, mas sobrevive apesar da grande malha de lugares comuns.

O filme narra a trajetória de “Quatro”, um dentre um grupo de nove alienígenas que escaparam de seu planeta natal antes dele ser destruído. Agora, escondidos na Terra, os nove alienígenas tocam suas vidas em separado, sem se conhecerem e procurando não chamar a atenção de um grupo inimigo que fará de tudo para matá-los na ordem numérica para depois acabar também com o mundo. “Quatro”, ou John Smith (codinome usado na maior parte do filme), após sentir o assassinato do terceiro alienígena, precisará lutar por sua vida e a das pessoas próximas.

Baseado no livro de Jobie Hughes e James Frey, o filme tem uma premissa simples e um desenvolvimento eficaz, mesmo que em cima de uma estrutura absolutamente genérica com personagens rasos. Todo o primeiro ato do longa se resume a uma sucessão de bobagens que parecem sempre darem certo para prender o público teen, mas que irrita quem já passou dessa fase e, portanto, compreende de cara o tipo de persuasão fajuta na tela. O garoto novato, o deslocado que sofre bullying e vê naquele uma chance de fazer amizade e ter segurança na escola, a bela garota que engata um romance após alguns minutos observando o jovem rapaz e o marrento que concentra um amor pela beldade em questão, o mal caratismo que atormenta os mais fracos e um ódio enciumado e impiedoso pelo então herói recém-chegado. Todos são meros peões de um joguinho de conquista da plateia que, por sorte, é abandonado quando começa a cansar.

Eu Sou O Número Quatro funciona quando aceita que já garantiu o retorno de quem queria e passa a falar daquilo que a sua história tem como seu: uma ficção-científica para adolescentes centrada na luta pela sobrevivência. E mesmo que o faça se valendo de outras centenas de forçações para cair no gosto (como as descobertas dos poderes de John pouco a pouco), o faz de uma maneira que não torne evidente as oscilações de criatividade – seja da história original, seja do roteiro adaptado. Mas tudo ainda é muito facilmente entregue. A direção de D.J. Caruso impede que o público crie expectativas sobre acontecimentos iminentes por conta das tantas dicas que as suas opções de filmar dão. E sem a ajuda de um roteiro que não se preocupa em se aprofundar nos personagens, e sim nas relações superficiais deles, fica realmente complicado aceitar que certas atitudes, encontros e decisões aconteçam de forma tão espontânea.

O elenco também oscila. Alex Pettyfer tem carisma, mas volta e meia se pega em trejeitos forçados para repassar uma autoconfiança que John deveria ter. Dianna Agron, como Sarah, é mais um acréscimo estético do que artístico e parece que sempre está falando por conta de sua Quinn Fabray, da série Glee, só que sem versos. Já Callan McAuliffe, como o amigo de John, Sam, deixa visível o seu esforço para formar um sentimentalismo em cena que é impossível de pescar. Ao menos Timothy Olyphant, como o mentor de John, Henri, passa uma sensação paternal e fraternal ao mesmo tempo, especificando o tipo de relação familiar que tem com “Quatro”. Além dele, apenas Kevin Durand se sai muitíssimo bem, este como o vilão Comandante Mogadorian – detalhe para o bom trabalho de maquiagem.

Na técnica, sem ressalvas. A Os efeitos visuais são eficazes e bons o suficiente para não pendurarem uma placa de “tosco” no letreiro do filme – a sequência do clímax demonstra isso – e, ainda, há até um inesperado bom trabalho com a fotografia. Mas nada que conceda à produção como um todo um status exemplar.

Mesmo com tantos lugares comuns, Eu Sou o Número Quatro entretém. Não é nenhum trabalho marcante, mas tem seus pingos de bom senso bem distribuídos por sua história. E, surpresa (talvez), uma continuação poderia até ser benvinda se souberem como aproveitá-la. E esse é um direito que a trama ganha por saber se encerrar da forma certa. Até agora.

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I Am Number Four (EUA, 2011). Ação. Ficção Científica. DreamWorks Pictures.
Direção: D.J. Caruso
Elenco: Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Alex Pettyfer, Diana Agron
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