CRÍTICA: Eu Te Amo, Cara

Comédia
// 24/04/2009

Confesso que, à primeira vista, quando recebi o convite para ver tal filme, não estava muito animado com a ideia. Segunda-feira, em pleno feriadão, atravessar a “poça” para ver uma comedia romântica em Botafogo às 10:30 da manhã? Estava me perguntando por que fui aceitar essa tarefa até que me toquei que o filme não era uma comedia romântica. “Eu Te Amo, Cara”, que mulher que diz isso pra alguém? isso só pode ser um homem falando pra outro, logo não poderia ser uma comedia romântica (só se fosse gay).
Até que o programa valeu um pouco a distância percorrida. Leia a crítica em “Ver Completo”!

Eu Te Amo, Cara
Por Eliezer Carneiro

O problema é este: “é apenas uma comédia”, já que ultimamente essas simples comédias estão mais para fazer o espectador chorar do que rir. A maioria das que são vistas nos últimos tempos seguem a mesma fórmula: humor infantil/adolescente, escatológico ou apelando para as piadas de teor sexual. Não que isso não exista em Eu Te Amo, Cara. Na verdade, existem esses três tipos de humor durante todos os 105 minutos da fita, só que ao contrario dos outros filmes do gênero, ele não é só isso.

O filme já começa apresentando Peter (Paul Rudd) pedindo Zooey (Rashida Jones) em casamento, fato inicial para o desenvolvimento de toda a trama, já que a grande questão do filme é que Peter é um cara sem amigos, enquanto Zooey vive cercada por suas amigas regularmente. Peter é o cara quase na casa dos 30, com um bom emprego, uma boa casa e uma típica família próspera americana. A desculpa para Peter não ter muitos companheiros é o fato dele, desde jovem, ter mergulhado num relacionamento atrás do outro, o que o tornou alguém com mais facilidade de relacionamento com mulheres do que com homens. O problema é que com o casamento ele precisa escolher um padrinho, além do mais, Zooey começa a ficar com medo de que ele vire um marido grudento, já que não possui convívio com outros rapazes. Peter acaba então entrando nessa busca por amigos enquanto tem de lidar com o fato de não conseguir sucesso na sua árdua tarefa de tentar vender a casa de Lou Ferrigno (para quem não sabe, ele é o ator que fazia os antigos filmes do Incrível Hulk e do Hércules, além de ter sido eleito duas vezes Mr. Universo). No meio disso tudo, e depois de várias tentativas frustradas de fazer novas amizades, ele conhece Sydney, um cara simples que vive sem preocupações e só se importa em se divertir. De cara, essa estranha amizade é um choque para Peter, já que Sydney é o seu extremo, mas rola uma “química” entre os dois e eles continuam saindo juntos e se falando.

Aí reside um dos pontos fortes do filme: essa amizade que nasce e vai crescendo entre os personagem é mostrada de uma forma que se pode comparar com um relacionamento amoroso. As diferenças entre os dois, os receios, um ligar para o outro para chamar para sair, a escolha do programa que vão fazer; tudo isso é comparado a uma fase de conhecimento. Situações que são fonte de boas piadas. Muitas delas causam embaraços aos personagens, o que causa graça. Não há necessidade dos atores fazerem algo engraçado, o filme é engraçado por si próprio.

Se o primeiro conflito do filme é o fato de Peter não ter muitos amigos, o segundo se dá justamente no momento em que Zooey acha que esta amizade deles está passando dos limites. Uma alteração extrema no contexto do personagem Peter, porém, algo que não deixa de estar previsto.

Previsão que se estende até os créditos. Assim como em toda boa comédia, tudo acaba com um final feliz, mas é interessante ver que o roteiro não brinca com a inteligência do espectador e apresenta situações inteligentes e resoluções boas para os problemas. De fato, o filme trabalha com clichês, mas sem cair neles. Quando está claro que a história vai cair em um deles, ela foge bem da previsão. Um filme leve, com uma boa atuação do “triângulo amoroso”. Fora os bons coadjuvantes (como Jaime Pressly, a Joy do seriado My Name is Earl, e o já citado Lou Ferrigno interpretando a si próprio – ambos perfeitos no filme) e as piadas que surgem naturalmente sem serem forçadas. No todo, um filme que pode ser assistido com qualquer pessoa do lado.  Não vai revolucionar o gênero, longe disto, mas pelo menos não vai deslizar feio como muitos similares andam fazendo.


I Love You, Man (EUA, 2009). Comédia. Paramount Pictures.
Direção: John Hamburg
Elenco: Rashida Jones, Jon Favreau, J.K. Simmons, Paul Rudd, Thomas Lennon, Jaime Pressly, Jason Segel, Jane Curtin, Andy Samberg e Sarah Burns.

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Comédia, Críticas