CRÍTICA: Evocando Espíritos

Críticas
// 18/04/2009


Cansado daquelas velhas histórias sobre casas mal-assombradas? Se sim, sugiro que pare de ler por aqui e vá cuidar de seus afazeres. Mas, se é um fã nada exigente do gênero terror ou simplesmente têm tempo a perder, arrisque-se com Evocando Espíritos, que chegou neste final de semana por aqui.


Evocando Espíritos
Por Matusael Ramos

Os personagens podem até ser outros, mas o cenário é sempre o mesmo: a casa sombria vendida as pressas e por um valor estranhamente amigável.

Qualquer semelhança com Terror em Amityville e Poltergeist não é mera coincidência: sem o charme desses primeiros, Evocando Espíritos é mais uma adaptação para o cinema de um caso supostamente verídico ocorrido nos Estados Unidos, algo que se não é sinônimo de qualidade, é de lucro.

Na história, uma família endividada resolve se mudar para as imediações do hospital onde o mais velho de seus filhos precisa se submeter a um tratamento para se curar de um câncer. Sem melhores alternativas, Sara Campbell, a mãe coragem vivida por Virginia Madsen, acaba finalizando a compra e guarda para si o terrível segredo por detrás daquele sombrio casarão: ali, há muitos anos, funcionara uma controversa agência funerária.

Não demora muito para que toda a sorte de fenômenos paranormais comece a acontecer. A princípio sentidos apenas pelo filho doente – algo que se supõe como resultado da forte medicação – e mais tarde por toda a família. A ajuda vem por meio do misterioso padre Popescu, que descobre o real motivo das manifestações – não que a esta altura o público alimentasse qualquer expectativa, simplesmente porque aí o roteiro já não se faz por entender.

Crianças sinistra, vultos, sons de passos e tipicidades do gênero. Somam-se a isso pequenos conflitos internos e familiares e obtenha algo a la Evocando Espíritos.

Não bastasse ser decididamente um desfile de clichês pontuado de insistentes sustos, Evocando Espiritos consegue transformar-se, a partir da segunda metade, numa confusa trama de flashbacks e supostas revelações. Abusando não raras vezes da edição intermitente e de uma fotografia sem grandes novidades, não há pontos fortes no filme – à exceção talvez de Virginia, que convence como a mulher forte por trás da mãe impotente.

O grande erro talvez resida na improbabilidade do roteiro, que, se baseado em fatos reais, não deveria se embrenhar em tantas sub-tramas e dar margem à invenção.

Narrado em primeira pessoa, Sara deixa um agourento recado ao final do filme: “Considerem-se avisados”.

Faço minhas as sua palavras.

The Haunting in Connecticut(EUA, 2009). Terror. Imagem Filmes.
Direção: Peter Cornwell.
Elenco: Virginia Madsen, Martin Donovan, Amanda Crew, Kyle Gallner e Elias Koteas.

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Categorias
Críticas, Suspense, Terror