CRÍTICA | Fiel

Críticas
// 29/04/2009
fiel

Evitando grandes produções e exaltações em volta da torcida Gaviões da Fiel e do próprio Corinthians, Fiel agrada aos torcedores do time, mas é fraco como documentário que se propõe a contar uma história – a do rebaixamento do time –, sendo, portanto, sem relevância para o cenário histórico do futebol brasileiro. Fiel é de corintiano para corintiano.

Ao contrário do que muito espectador (que torça por outro time) possa pensar acerca do longo, ele não foi produzido para enaltecer o Corinthians e nem a Fiel, mas sim enaltecer o sentimento pelo o que é torcer pelo Corinthians. Isso enfraquece a força documental que o filme poderia ter se fosse imparcial e denunciasse as irregularidades que levaram o time ao fracasso, mas fortalece por outro porque faz um documentário mais visceral e próximo do seu referente, sendo, deste modo, mais íntimo.

Recheado com depoimentos de torcedores, jogadores e do técnico Mano Menezes, o filme se propõe a contar a trajetória de queda do time à série B em 2007 e a ascensão à série A em 2008. Muito bem informados e lembrados, os torcedores dão o grosso das informações acerca do período; todas elas temperadas com aquele gosto de lágrimas e sorrisos de como foi essa história e também cobertas por acontecimentos pessoais em torno da vida de corintiano.

Focado, na narrativa não existe espaço para as aberrações do torcedor fanático, mas as alas são abertas ao torcedor apaixonado e romântico, o torcedor que não põe à frente só as vitórias e alegrias, mas torcem com sentimento, sempre exaltando o clima de união e simplicidade da grande torcida; nos depoimentos, não se importam em dizer que sofreram, são sinceros, expõe tranquilamente a dor da queda tanto quanto da alegria da ascensão.

Os depoimentos são captados com uma produção fotográfica bastante simples, às vezes até demais, chegando ao ponto de ser crua, sem uso de alguma iluminação mais elaborado. Em alguns casos, no estilo da câmera no ombro, a lente acompanha o torcedor desde a casa até o estádio e registra sem grande apelo emocional às reações ao ver o time em campo.

Ao fim da sessão, a voz de algum velho torcedor bradou “Corinthians” e a sala, cheia, explodiu em aplausos; todos de alguma forma tocados pela forma como o assunto foi tratado e provavelmente mais corintianos do que antes.

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