CRÍTICA: Foi Apenas Um Sonho

Críticas
// 28/01/2009

Estréia na próxima sexta-feira Foi Apenas Um Sonho, o novo filme do diretor Sam Mendes pelo qual sua esposa, Kate Winslet, venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em um Filme Dramático no início do mês. Confira abaixo a crítica de um dos filmes que estavam cotados para concorrer a uma vaga pelo Oscar de Melhor Filme, no próximo mês.

Foi Apenas Um Sonho
Por Breno Ribeiro

Todos temos sonhos. Alguns de nós os realizam, embora a grande maioria acabe não conseguindo chegar nem perto de alcançá-los. Há uma hora na vida em que as pessoas precisam parar e entender que certos sonhos não foram feitos para se tornarem real. E é exatamente sobre a linha que divide a aceitação do desejo não-alcançado e o a persistência em tentar realizá-lo que Foi Apenas Um Sonho fala.

O novo longa do oscarizado Sam Mendes narra a história do casal Wheeler, composto pela atriz frustrada April e pelo sem ideais Frank. Ao longo dos anos, Frank acaba trabalhando em um cubículo enquanto April se torna uma triste dona-de-casa. Tudo está prestes a mudar quando ela encontra uma maneira de tornar a vida de ambos mais prazerosa: se mudar para Paris. Entretanto, um inesperado evento promete pôr em risco não só os sonhos deles, mas o relacionamento de ambos como um todo.

Além de argumentar sobre sonhos e decepções, o longa mostra também, de forma convincente e real, a dinâmica do casamento e as carapuças que todos, em certos momentos, precisamos vestir para sermos queridos e aceitos. Portanto, não é à toa que, em um dos momentos da projeção, uma amiga dos Wheeler se sente aliviada quando o marido expõe ter os mesmos pensamentos que ela a respeito das ambições do outro casal. A falsidade e o falso moralismo estão presentes também nas cenas finais do longa quando uma das personagens que tivera dito que April era uma pessoa adorável, no início, começa a apontar falhas e defeitos do casal para o marido. E se durante toda a história somos projetados em discussões diversas em que uma das pessoas envolvidas manda a outra calar a boca (e isso ocorre sempre em momentos em que verdades são lançadas à mesa, como um tapa a quem as ouve), é divertido perceber, na cena que encerra o longa, como o casal mais velho de Revolutionary Road consegue se manter firme. Já a direção de Sam Mendes e a trilha simples de Thomas Newton complementam otimamente bem a excepcionalidade do roteiro de Justin Haythe.

Os altos e baixos, tanto do casamento quanto de seus humores, são levados pelos atores principais Kate Winslet e Leonardo DiCaprio com uma intensidade incrível. Os olhares vazios e vagos de Winslet expressam perfeitamente bem o vazio interior de sua personagem e sua busca incansável pela felicidade. Já DiCpario leva com segurança as mudanças sofridas por Frank conforme os fatos acontecem ao passo que ele percebe o quão importante a família é para ele. Já Michael Shannon surge impressionante como o lunático John Givings, um vizinho que precisando de tratamento psiquiátrico é o único da vizinhança que, ironicamente, consegue entender os anseios dos Wheeler e mostrar para eles as falhas de suas ações.

Ignorado pelo Oscar em grande parte de suas categorias, Foi Apenas Um Sonho não é o tipo de filme em que se vêem grandes aspectos técnicos, mas um longa que preza por sua história muito bem conduzida e pelos atores que a conduzem maravilhosamente. É engraçado notar também que, em uma das poucas vezes que já vi, o título nacional traduz bem mais a idéia central de um longa do que o título original. Assim, se o original não cumpre devidamente suas funções, uma vez que a rua título – a Revolutionary Road – não é tão importante à trama quanto os sonhos do casal. O reflexo, aliás, da realidade vivida na vizinhança é, de certa forma, a da sociedade geral em si. Embora cheio de acertos do começo ao fim, as aparentes pretensões do longa ao prêmio máximo da Academia foi, infeliz e talvez injustamente, apenas um sonho.


Revolutionary Road (EUA, 2008). Drama. Paramount Pictures
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio.

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Drama