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Estréia na próxima sexta-feira Foi Apenas Um Sonho, o novo filme do diretor Sam Mendes pelo qual sua esposa, Kate Winslet, venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em um Filme Dramático no início do mês. Confira abaixo a crítica de um dos filmes que estavam cotados para concorrer a uma vaga pelo Oscar de Melhor Filme, no próximo mês.

Foi Apenas Um Sonho
Por Breno Ribeiro

Todos temos sonhos. Alguns de nós os realizam, embora a grande maioria acabe não conseguindo chegar nem perto de alcançá-los. Há uma hora na vida em que as pessoas precisam parar e entender que certos sonhos não foram feitos para se tornarem real. E é exatamente sobre a linha que divide a aceitação do desejo não-alcançado e o a persistência em tentar realizá-lo que Foi Apenas Um Sonho fala.

O novo longa do oscarizado Sam Mendes narra a história do casal Wheeler, composto pela atriz frustrada April e pelo sem ideais Frank. Ao longo dos anos, Frank acaba trabalhando em um cubículo enquanto April se torna uma triste dona-de-casa. Tudo está prestes a mudar quando ela encontra uma maneira de tornar a vida de ambos mais prazerosa: se mudar para Paris. Entretanto, um inesperado evento promete pôr em risco não só os sonhos deles, mas o relacionamento de ambos como um todo.

Além de argumentar sobre sonhos e decepções, o longa mostra também, de forma convincente e real, a dinâmica do casamento e as carapuças que todos, em certos momentos, precisamos vestir para sermos queridos e aceitos. Portanto, não é à toa que, em um dos momentos da projeção, uma amiga dos Wheeler se sente aliviada quando o marido expõe ter os mesmos pensamentos que ela a respeito das ambições do outro casal. A falsidade e o falso moralismo estão presentes também nas cenas finais do longa quando uma das personagens que tivera dito que April era uma pessoa adorável, no início, começa a apontar falhas e defeitos do casal para o marido. E se durante toda a história somos projetados em discussões diversas em que uma das pessoas envolvidas manda a outra calar a boca (e isso ocorre sempre em momentos em que verdades são lançadas à mesa, como um tapa a quem as ouve), é divertido perceber, na cena que encerra o longa, como o casal mais velho de Revolutionary Road consegue se manter firme. Já a direção de Sam Mendes e a trilha simples de Thomas Newton complementam otimamente bem a excepcionalidade do roteiro de Justin Haythe.

Os altos e baixos, tanto do casamento quanto de seus humores, são levados pelos atores principais Kate Winslet e Leonardo DiCaprio com uma intensidade incrível. Os olhares vazios e vagos de Winslet expressam perfeitamente bem o vazio interior de sua personagem e sua busca incansável pela felicidade. Já DiCpario leva com segurança as mudanças sofridas por Frank conforme os fatos acontecem ao passo que ele percebe o quão importante a família é para ele. Já Michael Shannon surge impressionante como o lunático John Givings, um vizinho que precisando de tratamento psiquiátrico é o único da vizinhança que, ironicamente, consegue entender os anseios dos Wheeler e mostrar para eles as falhas de suas ações.

Ignorado pelo Oscar em grande parte de suas categorias, Foi Apenas Um Sonho não é o tipo de filme em que se vêem grandes aspectos técnicos, mas um longa que preza por sua história muito bem conduzida e pelos atores que a conduzem maravilhosamente. É engraçado notar também que, em uma das poucas vezes que já vi, o título nacional traduz bem mais a idéia central de um longa do que o título original. Assim, se o original não cumpre devidamente suas funções, uma vez que a rua título – a Revolutionary Road – não é tão importante à trama quanto os sonhos do casal. O reflexo, aliás, da realidade vivida na vizinhança é, de certa forma, a da sociedade geral em si. Embora cheio de acertos do começo ao fim, as aparentes pretensões do longa ao prêmio máximo da Academia foi, infeliz e talvez injustamente, apenas um sonho.


Revolutionary Road (EUA, 2008). Drama. Paramount Pictures
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio.

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16 respostas para »CRÍTICA: Foi Apenas Um Sonho»
  1. boa a crítica, temo até que ela seja melhor que o filme…
    Eu, que não suporto Leo di Caprio, fiquei com vontade de assistir.

  2. Gostei, eu também não gosto muito do Caprio, mas gosto da Kate… o enredo parece ser bem legal *-*

  3. Esse filme é mega digno! Mas acho que nem era pra Oscar mesmo. Os concorrentes são melhores :P

  4. nao assisti o filme, mas acho que a probabilidade dele levar o oscar é bem pequena… Me parece que vai ser igual ao Titanic, só que dessa vez, será Benjamim Button…

  5. A crítica parece boa, mas a história é tediosa… para nao dizer frustrante!

  6. Marcello Morgan diz:

    oscar não é tudo. e amanhã mesmo estou indo assistir e confesso que vou porque li a critica e gostei, mas antes disso só porque é kate e leo juntos hahahaha.

    cannes é muito mais importante do que o oscar, mas acontece que oscar é comercial e a preocupação é a bilheteria.

  7. valid

  8. [...] casamento quanto de seus humores, são levados pelos atores principais … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]

  9. Humm.. acho que a crítica falhou ao descrever alguns aspectos do filme.

  10. Boring.

  11. Ótimo filme e muito boa a crítica.
    Lógico que é um filme frustrante, pois mexe com o que muitas vezes achamos ser o certo mas não temos coragem e/ou “facilidades” para realizar; sair dessa mediocridade de vida robotizada e padronizada.

  12. O filme é muito bom, a Kate Winslet está fantastica, e o Leonardo tambem melhorou bastante desde Titanic. Méritos ao diretor Sam Mendes, eu particularmente gostei muito do filme. A história é ótima, o final foi o que eu mais gostei. Na minha humilde opiniao poderia ter levado um oscar sim rs

  13. O filme tem ótimos atores, uma boa história e uma denúncia bem séria a fazer. Mas tudo isso resulta em algo que poderia ter saído melhor. Há algo de frustrante no realismo duro do filme – é como se estivesse dizendo que tudo que uma pessoa adulta e madura deve se fazer é, querendo ou não, resignar-se a uma sociedade limitada e a uma vida medíocre. A primeira parte é, de longe, a melhor. Talvez seja fácil demais para o espectador prever que o sonho de April (“April in Paris”?) não vai dar certo e que Di Caprio, a despeito de suas fumaças de rebeldia, se revelará um sujeito assustado com o futuro e propenso ao conformismo garantido por um bom emprego, mas funciona, porque os atores arrancam muita vida de seus papéis. A direção de Mendes é boa. O louco vivido por Michael Shannon é impressionante. E o título, “Revolutionary road”, é irônico, muito mais alusivo, superior ao redundante título brasileiro (me desculpe o crítico acima) que “entrega” estupidamente o filme…

  14. O filme é bom, mas poderia ser melhor. É muito fácil de prever o que vai acontecer com o sonho do casal (o ridículo título brasileiro, que me perdoe o crítico, “entrega” tudo – e o original é melhor, pura ironia) e isso tem uma tendência a frustrar o espectador, que naturalmente fica esperando pelo pior. Kate e Di Caprio estão ótimos, ela sensacional, muito superior ao papel de “O leitor” que lhe deu o Oscar. Michael Shannon, como o louco, maravilhoso, e também Kathy Bates dá um show como sua mãe deliberadamente alienada.No entanto, há melancolia demais nesse projeto. Parece dizer que a única atitude possível, em certos casos, é a de resignação, donde o tom trágico e desagradável. Uma pena.

  15. O filme é bom, os atores interpretaram bem, kate, Di Caprio e Kathy Bates (adoro suas interpretações), estiveram muito bem. O filme marca uma relação do papel do “feminino” da sociedade da época… e atualmente ainda observamos a busca dessa realização pessoal desse encontro em homens e mulheres… O final foi de encontro a uma condição de quem não vê possibilidade alguma de seguir em frente, ou da possibilidade de conseguir caminhar até ali…

  16. Num Oscar fraco de boas atrizes, Kate Wisley poderia ter levado essa estatueta. Vi hoje o filme e ela está deslumbrante. Leonardo de Caprio já tinha ganho meio respeito, ele também está ótimo. Quem gosta da linha do Diretor Sam Mendes, precisa ver.

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