CRÍTICA | Frozen – Uma Aventura Congelante

Animações
// 13/02/2014
frozen

Inspirado em mais um dos contos do dinamarquês Hans Christian Andersen, Frozen – Uma Aventura Congelante chegou aos cinemas sob expectativas que tem cumprido muito mais que satisfatoriamente. Sua trilha sonora, por exemplo, tem desbancado grandes hits em charts mundo afora. O longa já contabiliza prêmios e concorre ao Oscar de melhor animação e canção original. Mas o maior trunfo da animação é um roteiro inovador, que se permite brincar o tempo todo com os clichês que a própria Disney utilizou durante décadas em seus produtos.

O filme, que é ambientado em um universo que lembra muito o de Enrolados (Tangled, 2010), mostra grande habilidade em fisgar o público logo nos primeiros minutos. Não é necessário muito tempo para que crianças e adultos desenvolvam uma forte empatia em relação a Elsa (Idina Menzel / Taryn Szpilman) e Anna (Kristen Bell / Érika Menezes), as duas irmãs que protagonizam o longa. A primeira sequência mostra as duas pequenas princesas felizes, muito unidas e cúmplices, condição que é rapidamente abalada devido a um acidente causado por Elsa. A irmã mais velha tem o poder de criar e controlar elementos do frio, mas acaba machucando Anna com seu dom e as duas meninas são obrigadas a viver separadamente. Elsa, com medo de voltar a ferir a irmã e se revelar para os habitantes de Arendelle, cresce isolada em seu quarto, enquanto Anna, que teve suas memórias alteradas para não se lembrar do acidente e nem dos poderes da irmã, sente-se sozinha e pensa ter sido rejeitada por Elsa. Anos mais tarde, no dia da própria coroação como rainha, Elsa volta a perder o controle com Anna e a situação volta a ficar complicada para ambas. O elenco principal é reforçado por Kristoff (Jonathan Groff / Raphael Rossatto), um vendedor de gelo, e sua rena Sven, Hans (Santino Fontana / Olavo Cavalheiro), a perfeita figura do príncipe que surge para conquistar Anna, e Olaf (Josh Gad / Fábio Porchat), o carismático boneco de neve criado por Elsa e que serve como o principal alívio cômico da animação.

Sempre repletos de lições de moral que se repetem há séculos em várias versões e repassados de geração em geração sem sofrer grandes contestações, os contos de fada, esporadicamente, são alvo de críticas de pessoas insatisfeitas com as mensagens transmitidas às crianças, especialmente às meninas, através dessas histórias. Usualmente, as princesas são seres frágeis e impotentes, condenadas – e conformadas – a esperar pelo resgate na torre mais inalcançável do castelo ou nas

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profundezas de uma floresta inóspita. Enquanto isso, o príncipe enfrenta bruxas, dragões e outros perigos a fim de receber a recompensa por sua bravura: um beijo e a mão da indefesa princesa. Apesar de a receita ter originado alguns dos maiores clássicos infantis, tem estado crescentemente em divergência com a realidade feminina contemporânea. Não podemos mais nos dar ao luxo de esperar que a solução dos nossos problemas chegue cavalgando seu cavalo branco. A identificação com esses tipos vulneráveis é cada vez mais difícil.

A Disney já percebeu isso há algum tempo e tem tentado afastar suas personagens femininas desses estereótipos sonhadores, mas isso nunca ficou tão claro como em Frozen. Não só a ação do filme é dominada pelas duas irmãs protagonistas, como também o plot do príncipe e seu amor romântico fica em segundo plano. De fato, em grande parte do longa nos esquecemos completamente desses elementos outrora imprescindíveis e tão familiares. Em vez de torcer pelo casal principal, o público é persuadido a acompanhar o drama do distanciamento entre Elsa e Anna, de longe as personagens melhor desenvolvidas. Não há bem contra o mal, a bruxa torturando a mocinha, o vilão apavorando os bons. A trama principal envolve duas irmãs que se contrapõem em tudo – Anna é extrovertida, alegre, sonha em viver em contato com pessoas; Elsa foi obrigada a se fechar para o mundo, vivendo em isolamento físico e psicológico –, mas que claramente se amam e desejam a companhia uma da outra. Não há certo e errado, há circunstâncias que as separaram. E o desfecho é certamente inédito no gênero “princesas Disney”.

O destaque da versão nacional está, claro, em Fábio Porchat e seu ingênuo Olaf. Apesar de Porchat não ter um timing cômico para dublagem tão apurado quanto o da voz americana (a voz de Josh Gad é naturalmente engraçada, muitas vezes apenas sua fala, sem nenhuma tentativa de graça, é suficiente), ele faz um trabalho decente que deve ser reconhecido. Como costuma acontecer no Brasil, o personagem já havia sido dublado por outro profissional, mas a Disney tem uma necessidade irritante de usar nomes famosos para arrastar o espectador aos cinemas (como se isso fosse indispensável ou adiantasse em alguma coisa). Pelo menos não chega perto do fiasco testemunhado em Enrolados, seriamente comprometido com a “dublagem” de certo apresentador.

A maior crítica do trabalho feito no Brasil é a adaptação das canções de Frozen. As músicas, originalmente, são muito bem costuradas entre si. É visível a preocupação em utilizar, em todas elas, certas palavras-chave que se conectam, repetem e complementam, conferindo às canções uma unidade que se encaixa perfeitamente com a narrativa. Obviamente, na tradução é impossível não perder alguma dessas nuanças, mas será que era necessário transformar “Let it Go”, já um dos momentos mais belos da história da Disney, em “Livre estou”, uma expressão que, além de mais fraca, inverte a forma como normalmente falam os brasileiros? Parece que faltou um pouquinho de boa vontade (ou tempo?) na hora das adaptações. Sem mencionar que a mesma sequência perde muita emoção na versão brasileira devido à interpretação de Szpilman, que não tem o mesmo poder vocal de Idina Menzel (ok, reconheço que essa comparação é injusta). Ou tudo isso pode ser uma questão de referência de alguém que assistiu primeiro ao longa legendado¹ e, portanto, apenas implicância minha. Confesso que não vi muita gente reclamando disso (talvez por não ter visto o original? Nunca saberemos).

O balanço final é muito mais que positivo. Frozen é uma animação encantadora, que soube equilibrar momentos engraçados com sequências emocionantes e um final que faz jus a tudo o que foi construído durante todo o filme e à história das princesas Disney. É muito gratificante constatar que o estúdio não pretende se manter engessado em antigas fórmulas e entende que o público não é mais o mesmo de Auroras e Brancas de Neve.

¹ Obs 1: Não vou contar como tivesse acesso à versão original, mas certamente não foi graças à única sessão legendada disponível no território nacional. Muita mancada, distribuidores!

Obs 2: O curta-metragem que antecede Frozen é simplesmente genial, um excelente uso do recurso 3D, uma verdadeira viagem no tempo, um presente àqueles que consideram animação uma coisa séria.

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Frozen (EUA, 2013). Animação. Disney.
Direção: Chris Buck, Jennifer Lee
Elenco: Kristen Bell, Josh Gad, Idina Menzel

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