CRÍTICA: Fúria de Titãs 2

Ação
// 29/03/2012

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Fúria de Titãs 2
por Leandro Melo

Há dois anos, foi realizado o remake de Fúria de Titãs, clássico kitsch de 1981 e mais conhecido por ser um dos últimos filmes a utilizar a centenária técnica de stop motion. Não sendo muito bem recebido pela crítica, mas tendo uma bilheteria que justifique a sua continuação, a mesma foi logo anunciada. Trocou-se o diretor, entrando agora Jonathan Liebesman (Batalha de Los Angeles), e surgiu uma esperança de uma sequência – ao menos decente – em relação ao seu predecessor. Como diz o ditado, “nada é tão ruim que não possa piorar…”.

Nada no filme funciona. Ao ser anunciada esta continuação, parecia haver uma preocupação em não relacioná-lo (muito, já que se trata de uma segunda parte) com o criticado remake de 2010. Pois bem, de fato, a película consegue se manter independente de sua origem. Não que isso seja um elogio, pelo contrário. Tudo em Fúria de Titãs 2 deu errado, e a tentativa de elevar a qualidade e, assim transformá-lo em uma possível cine-série falha.

A começar por seu roteiro. Se em uma continuação não há a preocupação com a construção do herói, espera-se que ao menos haja um argumento digno de uma nova odisseia. O conflito aqui se dá quando Zeus pede ao seu filho Perseu que o ajude a derrotar o titã Cronos, ao passo que os deuses estão se enfraquecendo, devido a fé decrescente dos humanos. Acrescente aí traição e um subtexto familiar ridículo a ponto de provocar risos constrangidos em alguns momentos (atentem para as cenas entre Perseu e seu filho e, especialmente, entre Zeus e seu irmão Hades). Em nenhum
momento, porém, sente-se que há um perigo real. Todas as cenas de ação seguem uma fórmula bem simples: surge o inimigo, a trilha sonora acelera, assim como a edição e uma fotografia trêmula. Tudo dura uns cinco minutos, e o semideus sai vitorioso, seguindo para um novo ‘desafio’. E assim será até o clímax.

A presença de atores do naipe de Liam Neeson e Ralph Fiennes poderia ser um alento e um dos fatores positivos do filme. Não por culpa deles, e sim do supracitado roteiro, exercem personagens aquém das suas capacidades artísticas. A Sam Worthington cabe o papel físico (literalmente falando): correr, pular, gritar, lutar. O acréscimo de personagens secundários, como Hélios, o filho de Perseu, e Agenor, filho de Poseidon, é apenas mais umas das características que puxam a obra para o abismo. O primeiro, insere o drama familiar, enquanto o segundo é o alívio cômico (porém nada engraçado).

Em um filme de ação dessa magnitude, os efeitos digitais são um dos grandes chamarizes. Não que eles sejam ruins, mas estão longe de ser bons quanto no trailer, onde a fotografia é escurecida para ‘maquiar’ a iluminação que entrega a artificialidade.

Em suma, não há o que defender em Fúria de Titãs 2. A mitologia grega, ainda que deturpada, poderia dar um ótimo filme. Nesta tentativa, nada dá certo. E não só dá errado, como consegue piorar em muito o que já não era tão bom anteriormente.

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Wrath of Titans (EUA, 2012). Ação. Fantasia. Warner Bros.
Direção: Jonathan Liebesman
Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Raloh Fiennes, Edgar Ramírez
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Categorias
Ação, Críticas, Fantasia