CRÍTICA: Fúria Sobre Rodas

Ação
// 31/03/2011

Hoje, todo e qualquer filme que precise de um empurrãozinho na bilheteria apela pro 3D – ou aquela superprodução que quer seguir uma tendência. Fúria Sobre Rodas é, sem dúvida, um exemplo do primeiro caso. Tenta ao longo de sua projeção escapar do rótulo de filme B, mas só colabora pra fixar ainda mais essa ideia na cabeça e ainda o faz de forma ruim.

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Fúria Sobre Rodas 3D
Por Caique Bernardes

Desde o início da nova era do 3D, em meados de 2009, Patrick Lussier foi pioneiro ao dirigir o primeiro filme de terror para maiores de 18 anos com a tecnologia, Dia dos Namorados Macabro 3D. O longa não hesitava em usar os novos recursos para dar ao espectador a sensação de estar no meio da carnificina sangrenta – ou pelo menos perto de ser atingido na cara por ela. Dois anos depois, ele volta às telas com filme novo, mas espírito antigo. Fúria Sobre Rodas 3D é ação com carros, armas, sexo, satanismo e muito – muito – sangue em três dimensões.

Milton (Nicolas Cage) é um bandido que escapa do inferno para caçar o líder do culto satânico que sequestrou sua neta após ter brutalmente assassinado sua filha. Agora, ele precisa alcançá-los e resgatá-la antes da lua cheia, quando o grupo planeja sacrificar o bebê e libertar os demônios do submundo na Terra. A sensação de urgência no argumento serve como justificativa para sequências de ação em alta velocidade a bordo de carros vintage pelo sul dos Estados Unidos.

Além do personagem de Cage (que mais uma vez esbanja canastrice na pele de um fora da lei), temos Piper (Amber Heard), a jovem garçonete durona e sedutora que obviamente se alia ao protagonista, e Jonah King (Billy Burke), o caricato líder assassino do grupo satânico; principal antagonista da trama. Porém, merece destaque dentre todas as personagens genéricas “O Contador” (um cômico William Fichtner), um ser sobrenatural enviado de Satã para levar Milton de volta ao inferno e que protagoniza grande parde dos melhores momentos do filme com sua atitute desinteressada e irônica.

Não demora muito para que o filme se torne um aglomerado de clichês do gênero, com tiros sendo trocados em câmera lenta, seios femininos totalmente à mostra e explosões de carros ao menor dano no bocal do tanque de gasolina. Todos esses elementos são cuidadosamente amplificados pelas três dimensões, que os colocam a centímetros dos olhos do espectador.

Mas se o ritmo das perseguições é frenético, o mesmo não pode ser dito sobre o desenvolvimento da narrativa, que evolui lentamente e sem surpresas. A história e as motivações de Milton, presentes em qualquer simples sinopse do filme, levam horas de projeção para serem totalmente compreendidas por Piper, muito tempo a mais do que a plateia leva. A repetição do drama familiar do protagonista enjoa e leva ao tédio e ao cansaço. Dá a impressão de que quanto mais a questão é explorada, mais lento o filme fica, culminando em um completo desinteresse do espectador pela sequência de eventos às vésperas do confronto final.

O grande problema de Fúria Sobre Rodas 3D não é o seu uso excessivo de clichês, efeitos grandiosos e frases de efeito. Pelo contrário, é não se assumir como uma paródia de si mesmo e do gênero, como fez por exemplo Grindhouse. Ao invés disso, opta por parecer uma produção séria de ação mal-executada. Cai, infelizmente, na armadilha do drama dispensável e enfadonho, desgasta sua audiência e estraga o que de outra forma teria sido um divertido e honesto filme B de ação desenfreada.

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Drive Angry 3D (EUA, 2011). Ação. Warner Bros. Pictures.
Direção: Patrick Lussier
Elenco: Nicolas Cage, William Fichtner, Billy Burke
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Ação, Críticas