CRÍTICA: G.I. Joe – A origem de Cobra

Ação
// 05/08/2009

O mundo do cinema, ao menos em Hollywood, vive uma era em que ideias originais são raras e, quando elas surgem, nem sempre emplacam. A forma de alcançar o lucro de maneira mais rápida e segura se tornou o investimento em figuras já conhecidas em outras mídias para garantir um público certo. Assim vieram as chuvas de adaptações de quadrinhos, livros, seriados de TV e brinquedos. Sim, brinquedos. Transformers e Piratas do Caribe (este baseado numa atração dos parques Disney) viraram febre pelo mundo e movimentam milhões de dólares. A julgar por esta premissa, G.I. Joe – A Origem de Cobra, que estreia nesta sexta-feira, tem tudo para arrecadar muitas cifras pelo globo. Ao menos, este, comparado a alguns filmes do tipo, tem uma preocupação maior (apesar de não tão séria) com a história que está contando sem perder o bom tino para as cenas de ação. Confira a crítica clicando em “Ver Completo”.

G.I. Joe – A Origem do Cobra
Por Breno Ribeiro

Se já é difícil realizar certas adaptações baseadas em um material narrativo concreto, como livros e peças de teatro, é ainda mais complicado entender a adaptação de produtos sem nenhuma base narrativa. É quase como a criação de uma história original usando apenas figuras já conhecidas, uma vez que não há trama nem relações interpessoais profundas entre personagens de uma linha de brinquedos, por exemplo. É exatamente diante desse cenário que surge G.I. Joe – A Origem do Cobra, baseado na linha de bonecos americana.

Dirigido por Stephen Sommers (A Múmia, não que isso seja um atrativo muito grande), o longa narra a entrada de Duke e Ripcord para a unidade secreta G.I. Joe ao passo que uma organização terrorista tenta reaver explosivos recheados por nanorrobôs com objetivos muito maiores do que simplesmente causar o terror no mundo.

Como a maior parte dos blockbusters existentes, o filme tem a proposta clara de divertir o público. Diferente de muitos outros filmes do gênero, porém, este aqui leva a sério a história não muito complexa que cria e a carrega com força até o final. Contando desde o início com cenas de ação bem produzidas, o roteiro se encarrega de dosar bem a ação da trama, suas explicações e, ainda, flashbacks que narram o passado dos personagens principais. Os flashbacks, portanto, surgem como uma tentativa dos três roteiristas (Stuart Beattie, David Elliot e Paul Lovett) de tentar fugir da superficialidade natural de figuras baseadas em miniaturas de plástico. Um feito que não é atingido com cem por cento de perfeição e nem cria caracteres complexos, mas que tenta, de certa forma, fugir dos clichês. Ademais, recheado de revelações que surgem constantemente ao longo da trama virando-a de cabeça pra baixo inúmera vezes, os roteiristas parecem inseguros sobre qual caminho tomar e quando o clímax se aproxima e a revelação aparentemente mais chocante é feita, ela soa forçada e pouco crível, ao passo que as motivações do grupo terrorista são deixadas quase que nos créditos do longa, quando, na verdade, ela já é óbvia desde antes (algo que deve ter sido feito para deixar aquele aviso de que haverá uma continuação ao fim; desnecessário).

Já a direção de Stephen Sommers mostra-se, aqui, muito mais segura do que em seus trabalhos anteriores. As perseguições e cenas de ação com diversas instâncias são bem feitas, ainda que algumas pequem nos já cansativos slow-motions, e trazem com precisão o tom de urgência que a situação precisa, sendo tudo isso mais claro na cena de perseguição feita em Paris que soa ao mesmo tempo ágil, dinâmica e bem montada. Os efeitos do longa contribuem nesse tipo de cena, embora soem artificias demais em outras, como na cena em que os personagens principais conseguem adentrar a fortaleza de seus inimigos situada no Ártico ou na cena em que um jato computadorizado sobrevoa o deserto sem que haja sombra alguma dele na areia.

Com nenhuma atuação que valha a pena ser mencionada (positiva ou negativamente), G.I. Joe – A Origem do Cobra, o mais novo blockbuster americano, surge como um alívio para aqueles que pensavam que seria impossível construir um longa vindo de “bonecos de plástico”. Se você espera uma grande trama, personagens fortes e uma grande reflexão sobre a vida, o universo e tudo mais, lembre-se: é sim possível fazer um bom filme baseado em bonecos, mas milagres são impossíveis.

nota_7
G.I. Joe – Rise of Cobra (EUA, 2009). Ação. Paramount Pictures.
Direção: Stephen Sommers
Elenco: Dennis Quaid, Sienna Miller, Ray Park.

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