CRÍTICA: Glee Live! 3D!

Críticas
// 15/09/2011

Glee chega aos cinemas pela primeira vez não com uma história fictícia, mas com um documentário musical. Especialmente voltado para o público do seriado de TV (na verdade, “apenas” para esta plateia), o longa até poderia conseguir um bom resultado se não tivesse misturado tanta coisa que, na tela, beirou o tosco (se é que não chegou lá).

Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Glee Live 3D – O Filme
Por Caique Bernardes

Com um subtítulo vago como “O Filme”, qualquer espectador desavisado poderia pensar que Glee 3D seria uma versão para o cinema das histórias do seriado americano. Porém, se tratando de uma das mais famosas e rentáveis séries da atualidade, tais espectadores desavisados obviamente não são o público almejado. Todo fã incondicional de Glee sabe que o filme não é uma ficção, mas sim uma mistura de show com documentário, construída especificamente para agradá-los. E isso o faz com tamanha vontade que acaba por dar a volta e se tornar, por vezes, insuportável.

Sistematicamente, o filme intercala uma das apresentações da turnê mais recente do grupo com cenas dos bastidores, pequenas gags ficcionais dos personagens se preparando para cada número. Em paralelo, o longa também desenvolve as histórias reais de três jovens, fãs da série que foram assistir à turnê, que tiveram suas vidas afetadas positivamente pelo programa.

O show é, sem dúvida alguma, o melhor dos três componentes do filme. É necessário que se diga que, por ter sido filmado com câmeras 3D (e não convertido na finalização), o efeito final das três dimensões é deslumbrante. Sua nitidez e suas cores vívidas tornam-no figurinha fácil nas listas técnicas dos melhores filmes a terem sido lançados com a tecnologia.

A apresentação em si contém as músicas e performances mais queridas entre os fãs da série, oferecidas por todo o elenco jovem do seriado de forma alegre, dinâmica e, por vezes, sexy (que o diga Heather Morris). Números como “Sing” e “Born This Way” são apresentados exatamente como na televisão, o que certamente desviará a atenção de todos da produção inexpressiva do show. Suas coreografias, cenários e figurinos (com a exceção de poucos números, como “I’m a Slave 4 U”) caminham perigosamente na linha do apenas aceitável para uma produção de grande escala. Tal efeito é ressaltado pelo fato de se tratar de uma versão editada para o cinema de um espetáculo imaginado para a platéia ao vivo.

Nos bastidores, as cenas – apesar de bastante inspiradas – não são nem de perto em número suficiente para satisfazer a vontade do público de ver mais de seus personagens preferidos na tela. Mais da metade do elenco – incluindo Finn, Mercedes e Tina – sequer tem mais de um minuto para qualquer comentário no filme. Também não espere a presença do professor Will ou de Sue Sylvester (respectivamente a pior e a melhor personagem do seriado). Se tivesse se atido somente às experiências de bastidores dos carismáticos personagens do seriado, Glee 3D se encerraria com um bom saldo positivo. Muito infelizmente, não foi o caso.

Para promover os intervalos necessários entre cada número, a direção resolveu intercalar com estes histórias “inspiradoras” de fãs reais da série que superaram as adversidades da vida, assim como os personagens. Apelando para efeitos baratos na tentativa de provocar emoção – como narração dramática com música de fundo triste e reconstituições em sépia – os contos se tornam patéticos e apelativos. O resultado é algo torturantemente similar a uma sessão de lavagem cerebral (ou várias – as cenas se estendem pelo filme inteiro) onde o espectador ouve repetidamente sobre quão inspirador e revolucionário é Glee e como sua mensagem é transformadora para a juventude.

Assim, Glee 3D trabalha na chave da recompensa: a cada bloco de propaganda institucional gratuita do seriado que o espectador atura sem dormir, este recebe duas ou três performances sólidas das músicas do seriado. Se é uma troca justa ou não, vai de cada um.

——————————
Glee Live! 3D! (EUA, 2011). Documentário. Musical. 20th Century Fox.
Direção: Kevin Tancharoen
Elenco: Dianna Agron, Lea Michele, Chris Colfer.

Comentários via Facebook