CRÍTICA: Gnomeu & Julieta

Animações
// 08/03/2011

No último fim de semana, estreou a animação Gnomeu & Julieta, aposta da Miramax no universo das animações. Entrando no circuito de cabeça baixa, o filme mostra que não só os grandes estúdios têm originalidade suficiente para divertir sem cair na repetição.

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Gnomeu & Julieta
por Eduardo Mercadante

No final do século 16, William Shakespeare escreveu Romeu & Julieta, romance que se tornaria uma das maiores referências dentro da literatura universal. Inúmeras foram as tentativas de recriá-la, a grande maioria pecando pela falta de originalidade, se revelando extremamente insossa. Mas Gnomeu & Julieta não pertence a esse grupo. E isso é revelado já na primeira cena, em que aparece um narrador no palco de um teatro avisando que a história era repetida, mas que valia a pena ser vista por suas agradáveis surpresas (e há).

A senhora Montéquio e o senhor Capuleto são dois vizinhos idosos, moradores da Rua Verona. Sua rivalidade é exposta na disputa entre os jardins; mais precisamente, entre os objetos de decoração deles. Gnomeu é o grande líder dos azuis (Montéquio) desde que seu pai morreu. Certa noite, ele conhece Julieta, o orgulho dos vermelhos (Capuleto), e os dois logo se apaixonam. Entretanto, o romance não é o fator predominante. O viés cômico do longa fica evidente, principalmente, nas figuras da melhor amiga sapa de Julieta, e do flamingo cor de rosa, cuja história de vida se encaixa perfeitamente nos padrões Disney (distribuidora da animação em alguns países) de transmitir valores e mostrar superação.

Dentre os personagens, é preciso ressaltar os gnomos, que além de protagonizarem, alcançam a perfeição visual. A computação gráfica é tão minuciosa que é quase possível perceber a textura dos gnomos. E, como se toda a verossimilhança na imagem já não fosse demais, a todo momento ouve-se o som de cerâmica. Eles sozinhos já fazem valer o preço – alto, como em todo filme 3D – do ingresso.

Talvez o maior acerto da Miramax tenha sido Kelly Asbury, co-diretor de Shrek 2, como um dos roteiristas e diretor de Gnomeu & Julieta. O roteiro é marcado por alguns desvios na progressão temporal, como o comercial – hilário – do mais poderoso e caro cortador de grama, e os divertidos números musicais. A trilha sonora foi composta por Sir Elton John – a quem o filme faz várias alusões – e James Newton Howard. A canção principal do filme “Hello, Hello”, é cantada por Elton e uma Lady Gaga contida – felizmente.

Gnomeu & Julieta alcança o sucesso justamente pelo que é expresso por Gnomeu na inesperada cena de metalinguagem com William Shakespeare, em que eles conversam sobre o rumo dos personagens. A tragédia não se adequa à proposta de uma animação, o humor e a qualidade na execução são as marcas do filme.

É uma pena que criações como Gnomeu & Julieta sejam tão isoladas. Raramente vemos um sopro de criatividade usando uma fórmula, a princípio, batida dar certo sem que tenha surgido das mãos do Mickey. Quiséramos, também, que essa mesma inventividade se repetisse em tantos outros gêneros – e agora, sim – nos estúdios maiores.

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Gnomeo & Juliet (EUA, 2010). Animação. Imagem Filmes.
Direção: Kelly Asbury
Elenco: Jason Statham, James McAvoy, Matt Lucas
Trailer

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Animações, Críticas