CRÍTICA | Godzilla

Ação
// 14/05/2014
O avô de todos os monstros gigantes cinematográficos retorna maior do que nunca em um longa que homenageia, ainda que não capture perfeitamente, a atmosfera dos 27 (!) filmes originais japoneses. Um ótimo elenco que não parece ter sido aproveitado à altura e um Godzilla que faz jus à idade avançada em alguns momentos surpreendentemente pacatos falham em concretizar o potencial devastador antecipado nos ótimos trailers.

Godzilla
Por Gabriel Costa

No longínquo ano de 1998, quando Hollywood ainda não estava mergulhada em remakes e reboots até o pescoço, o especialista em filmes-catástrofe Roland Emmerich trouxe ao mundo uma versão americanizada do cultuado monstro Gojira (no original japonês) que praticamente gritava “anos 90” e colocava Matthew Broderick e Jean Reno contra um lagarto gigante que lembrava uma versão anabolizada do T-Rex de Jurassic Park. Agora, em 2014, o diretor Gareth Edwards, do thriller sci fi Monstros, de 2010, sabiamente opta por uma abordagem mais próxima à do clássico B japonês de 1954. Ainda assim, o tom do novo filme em diversos momentos chega próximo ao de um Independence Day, com aquela característica e irritante insistência em focar nos dramas pessoais dos protagonistas, como se a destruição em escala catastrófica apresentada na tela não fosse suficiente para estimular a empatia do público.

Entre os protagonistas em questão estão Joe e Ford Brody, pai e filho interpretados com competência por Bryan Cranston (Breaking Bad) e Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass), respectivamente. Um suposto desastre natural destruiu a usina nuclear em que Joe e sua mulher – e mãe de Ford – Sandra (Juliette Binoche) trabalhavam, e provocou um trauma que dividiu a família. Ford agora vive nos Estados Unidos com a esposa Elle (Elizabeth Olsen) e o pequeno filho Sam (Carson Bolde), enquanto Joe permanece no Japão conduzindo por conta própria investigações a respeito da verdadeira natureza da tragédia de 15 anos antes, que acarretou no isolamento permanente de toda uma parte da cidade devido à radiação liberada. E são essas investigações que vão provocar o reencontro do obcecado cientista e seu filho, bem como levá-los a conhecer os cientistas Ichiro Serizawa (Ken Watanabe, em atuação absolutamente monótona) e Vivienne Graham (Sally Hawkins), que conhecem as verdadeiras implicações do que aconteceu – bem como suas assustadoras e iminentes consequências.

Como o próprio Cranston declarou em entrevistas, o diretor Edwards parece ter buscado inspiração no Tubarão de Steven Spielberg para a estratégia de demorar (muito) para mostrar de forma clara a criatura-título. Embora a tática sem dúvida contribua para aumentar o suspense, espera-se que, após toda essa espera, a compensação venha à altura, e isso não ocorre exatamente em Godzilla. Pra piorar, o filme repete a frustrante opção de não mostrar um momento fundamental mais tarde, em uma cena na qual Ford está em sérios apuros apenas para depois ser mostrado já em outra situação, bem mais tranquila, sem que seja explicado o o que houve entre uma parte e outra.

Quando finalmente chegamos ao olho do furacão, contudo, a coisa muda de figura. Tudo, desde a fotografia às tomadas opressivas e efeitos de CGI contribuem para a construção de uma atmosfera opressiva e desesperadora enquanto

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Godzilla luta animalescamente contra seus antagonistas perante uma humanidade impotente que pode apenas torcer para sair viva quando a poeira – muita, muita poeira, diga-se de passagem – baixar. Esses momentos, que se estendem ao longo dos últimos vinte ou trinta minutos do filme, finalmente justificam a expressão de assombro mantida por Watanabe ao longo de praticamente todo o tempo de exibição, e quase tornam possível que o público releve os trechos anticlimáticos que precedem e sucedem a sequência.

Godzilla, guardadas as devidas proporções e exageros voltados ao entretenimento puro e simples, sempre foi uma alegoria para a ignorância e impotência do ser humano frente à natureza e forças implacáveis com as quais teimamos em brincar, como a energia atômica. Enquanto a nova encarnação obtém sucesso em expor esse impasse na forma absolutamente intimidadora que o colossal lagarto assume, a equação pouco balanceada entre suspense e ação, o excessivo enfoque dramático de resolução pouco satisfatória e algumas atitudes “boazinhas” do lendário monstro falham em concretizar o caráter implacável que poderia elevar o reboot a um patamar diferenciado.

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Godzilla (EUA, 2014) Ação/Ficção Científica. Warner Bros.
Direção: Gareth Edwards
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Bryan Cranston, Juliette Binoche

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