CRÍTICA | Gravidade

Críticas
// 10/10/2013

Quando ficção-científica se une ao drama e a belas (e não só empolgantes) sequências de ação, certamente há um bom produto sendo posto à frente do público. Gravidade, de Alfonso Cuarón, é certamente um exemplo disto.

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Gravidade
por Heitor de Tani

Após dirigir um drama local (E Sua Mãe Também, 2001) e um drama internacional (Filhos da Esperança, 2006), o diretor mexicano Alfonso Cuarón expande mais uma fronteira e escolhe a órbita terrestre para contar um drama de luta pela sobrevivência, no qual os protagonistas se vêem constantemente ameaçados por um ambiente inóspito.

Gravidade começa com a tripulação em órbita fazendo a manutenção no telescópio Hubble. Um imprevisto acontece e a nave é destruída, deixando os astronautas vulneráveis e à deriva. A partir daí, eles passam a trafegar pelo espaço em busca de algum porto seguro para sobreviver.

A despeito dessa ambientação mais estelar e visualmente ambiciosa, a trama gira em torno de poucos personagens. Na primeira parte, o filme procura humanizar os protagonistas e mostrar que eles são pessoas de carne e osso. Ryan Stone (Sandra Bullock) é uma engenheira especializada na manutenção e que se sente insegura com sua inexperiência no espaço. Matt Kowalski (George Clooney), já veterano, adora ouvir música country e conversar descontraidamente, mesmo que todos estejam ali concentrados no trabalho. Kowalski puxa conversa com Stone, e eles falam um pouco sobre o passado e aquilo que deixaram na Terra, abordando questões como a solidão.

Esta relação pessoal, porém, fica em segundo plano a partir do momento em que se estabelece o conflito central, e o que era drama passa a ser praticamente um filme catástrofe, de tal forma que se esvai a ‘pessoa’ dentro da personagem para dar lugar a um corpo físico que

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luta pela vida. O diretor obviamente optou por mostrar também este lado mais bruto e primordial da condição humana (que inclui o instinto de sobrevivência), sendo esta opção uma das possíveis leituras aos recorrentes simbolismos de útero e cordão umbilical que permeiam todo o filme. Na segunda metade do filme a dramaturgia enfraquece, pois o enredo passa a se apoiar na ação e na aventura, exceto pela memorável reviravolta na cena de propulsão da cápsula de fuga russa, a qual se baseia justamente no vínculo afetivo entre as personagens.

Por outro lado, do ponto de vista do espetáculo, a aventura e a destruição são essenciais. A direção de fotografia primorosa é de Emmanuel Lubezki, parceiro de longa data do diretor. É notável a sensação de instabilidade pela câmera sempre girando, e de sufocamento na extensão dos planos-sequência, o que contribui para a tensão dramática do filme. Em um deles, a câmera se aproxima do rosto de Stone até atravessar o vidro do capacete dela, que até então refletia a Terra, para depois girar e se transformar numa câmera subjetiva, com a qual respiramos junto da personagem. O 3D pode não ser nada excepcional a depender da sala de projeção, e o uso pesado de CGI às vezes compromete a veracidade das figuras humanas em termos de movimentação, indo na contramão daquela tentativa de humanizá-las.

No fim das contas, o que prevalece é a visualidade, com movimentos de câmera acrobáticos e deslumbrantes paisagens digitais, o que era mais do que esperado vindo de um diretor que já realizou inúmeros planos marcantes em seus filmes anteriores (quem não se lembra da câmera “entrando” no espelho na aula do bicho-papão em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban?), e que agora consegue se superar (e nos surpreender) novamente.

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Gravity (EUA, 2013). Drama. Warner Bros. Pictures.
Direção: Alfonso Cuarón
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney

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