CRÍTICA | Guardiões da Galáxia – Vol. 2

Ação
// 24/04/2017
guardioes da galaxia vol 2

A mais grata surpresa do Universo Cinematográfico Marvel retorna em grande estilo como um dos raros espécimes de sequência que não apenas iguala, mas, em diversos aspectos, supera o original. Divertidíssimo, visualmente deslumbrante e incrivelmente intocado pelas nefastas influências executivas e mercadológicas que tanto prejudicam algumas das mais rentáveis franquias cinematográficas atuais, Guardiões da Galáxia Vol. 2 mantém o status da até pouco tempo desconhecida equipe como merecedora de destaque entre as melhores adaptações de quadrinhos.

Se, há três anos, um filme dos Guardiões da Galáxia era essencialmente um tiro no escuro que buscava capitalizar em cima de um nicho audiovisual em vertiginosa expansão, hoje se pode dizer que, sob o comando característico e certeiro de James Gunn, responsável pelo roteiro e direção tanto daquele como deste Volume 2, antigos “zés-ninguém” do Universo Marvel como o Senhor das Estrelas (Chris Pratt), Rocky Racoon (com a voz de Bradley Cooper) e Drax, o Destruidor (Dave Bautista) já contam com uma legião de fãs que garante no mínimo uma fatia generosa da bilheteria.

Assim sendo, Gunn tem o crédito e a liberdade junto aos Estúdios Marvel e à patroa Walt Disney Pictures para bancar a personalidade própria que já havia imprimido no primeiro filme, investir em alguns dos efeitos visuais mais impressionantes da fantasia/ficção científica moderna, e ainda salpicar o já ótimo elenco com nomes como Kurt Russell, que encarna com gosto Ego, O Planeta Vivo e Sylvester Stallone como o pirata espacial Stakar Ogord. O humor que permeava o longa de 2014 faz hora extra na sequência, sem prejudicar, no entanto, o andamento da trama, que desta vez é mais bem amarrada, em contraponto ao roteiro um tanto jogado do original. Por outro lado, um dos maiores diferenciais da primeira aparição dos Guardiões na tela grande – a impecável trilha sonora, engenhosamente amarrada à história – retorna com menos brilho e impacto, ainda que contenha clássicos de medalhões do pop mundial como George Harrison, Cat Stevens e Fleetwood Mac.

O filme segue a cartilha das continuações que esmiúçam aspectos do passado e origens dos protagonistas que foram mencionados somente de forma tangencial no anterior. Assim, os fundamentos da trama estão na questão da misteriosa figura paterna do Senhor das Estrelas/Peter Quill, na longeva rivalidade das filhas de Thanos, Gamora (Zoe Saldana) e Nebulosa (Karen Gillan), e na construção de uma unidade familiar dentro da equipe que dá título ao longa, um resultado improvável mas bem-vindo para figuras de passado conturbado como os impagáveis Drax e Rocky, o caçador de recompensar Yondu Udonta (Michael Rooker, desta vez em participação de maior importância) e até mesmo o absurdamente adorável Bebê Groot (na irreconhecível voz infantil de Vin Diesel). Bautista, em seu retorno como Drax, merece destaque, especialmente nas interações hilárias com a empata alienígena Mantis (Pom Klementieff)

É importante ressaltar que, por mais sólida que seja a estrutura de blockbuster, ela não engana, aliás, nem tenta: o que temos aqui é entretenimento pop superficial. E essa autoconsciência, talvez até pelo caráter obscuro do material original, é justamente um dos grandes trunfos da obra, de forma que chega a ser referenciada pelos próprios protagonistas em mais de um momento. Livres do caráter mítico residual de um Homem de Ferro, Batman ou mesmo de um Homem-Aranha – cujo caráter despretensioso já sofre com o peso de uma conturbada trajetória nos cinemas -, os Guardiões da Galáxia têm a valiosa oportunidade de serem apresentados apenas e exatamente como o que são: personagens de gibi estapafúrdios, exagerados e absolutamente cativantes.


Guardians of the Galaxy Vol. 2 (EUA, 2017) Aventura/Ficção Científica. Marvel Studios.
Direção: James Gunn
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Kurt Russell, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Vin Diesel, Sylvester Stallone.

9-pipocas

 

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