CRÍTICA: Halloween – O Início

Críticas
// 27/07/2009

Halloween-2007-01-4

O nono filme relacionado à série Halloween traz novidades ou apenas apresenta a previsibilidade e obviedade? Leia a crítica na íntegra e descubra os motivos para não assistir a mais um longa-metragem baseado no personagem Mike Meyers. Para ler a crítica clique em

Halloween – O Início
Por Henrique Simões Chirichella

Desde o princípio do cinema narrativo, tramas que abordam o desenvolvimento da psicose e distúrbios mentais em personagens específicos se tornaram bastante retratadas. De fato, tal temática revela-se um ótimo pressuposto para a exposição de sangue e carnificina. O esgotamento do tema resultou em uma nova vertente de produções contemporâneas. Os produtores se vêem na obrigação de oferecer explicações ao público o que originou, justamente, os filmes remetendo à origem do comportamento do psicopata referente. Entretanto, é necessário sujeitar o espectador à obviedade de justificativas? Halloween – O Início revela-se uma produção dispensável, apresentando ao seu público algo previamente já suposto e debatido.

Sendo o nono filme baseado no personagem Michael Meyers, há de se concluir o saturamento, não só do personagem como, também, da trama. Este aqui irá se concentrar em sua infância conturbada, o relacionamento com a família e o seu tratamento durante os anos de internação. A narrativa se desenrola a partir de seus primeiros assassinatos, os quais cometeu pelo ordinário fator de exclusão e inadequação social. Logicamente, nada surpreendente para qualquer mente que acompanhe o gênero.

O longa irá se desdobrar a partir da previsibilidade e conclusões óbvias, não dotado da mínima capacidade de surpresas. Para deteriorar ainda mais a situação, o roteiro e diálogos não apresentam o mínimo grau de inspiração, revelando o constrangimento involuntário. Metáforas esdrúxulas, momentos paradoxais e até furos e falhas narrativas transportam a produção para um patamar ainda mais baixo e inadequado. A complicação é tamanha que a credibilidade de alguns longas satisfatórios da série se vê comprometida e sujeita à críticas e indagações.

De certa forma, não poderia se esperar algo inventivo e muito original do cantor e vocalista – agora diretor – Rob Zombie. O aspirante a cineasta, que se caracterizou pelo gore e trash em filmes anteriores como A Casa dos 1000 Corpos e Rejeitados pelo Diabo, opta por uma construção mais contida e muito menos sanguinária. Independentemente da intervenção da produtora, a direção mostra-se quase televisa de tão precária: o exagero em closes e planos médios transfiguram a produção em uma clássica soap opera. Rob Zombie falha , também, como diretor de atores, extraindo atuações e apresentando personagens com composições caricatas e estereotipadas, principalmente por parte do ator Daeg Faerch, o qual interpreta Mike Meyers aos 10 anos. Não sucedendo como diretor e roteirista, a impressão que fica é a de como cineasta Zombie é um ótimo vocalista – ou não.

Continuo a me surpreender com a insistência de certas produtoras ao resgatar séries e personagens que já ofereceram o suficiente. Mais surpreendente ainda é reutilização de um protagonista para expor e fornecer obviedade aos espectadores. Acredito que ninguém precise de quase 2 horas de projeção para chegar à conclusão que um psicopata, realmente, sofre de distúrbios psicológicos e que são indivíduos eclusos e inadequados ao meio social em que convivem. Dá próxima vez, esperemos que o título seja mais auto-explicativo e revele-se como sendo “Halloween – O Óbvio”.  Próximo.


Halloween
(EUA, 2007). Terror. PlayArte.
Direção: Rob Zombie
Elenco: Malcolm McDowell, Brad Dourif e Tyler Mane.

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Terror