CRÍTICA| Hannah Montana – O Filme

Comédia
// 21/08/2009
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O universo da famosa adolescente que protagoniza a série transmitida desde 2006 pela Disney Channel já é velho conhecido dos fãs: aos olhos de seus colegas de escola, Miley Stewart (Miley Cyrus) é uma garota normal e passa pelas mesmas dificuldades e conflitos que quaisquer jovens de sua idade enfrentam. O que a maioria não sabe, porém, é que Miley possui uma vida dupla e uma agenda repleta de compromissos. Ao mesmo tempo em que a menina precisa frequentar aulas e lidar com inimizades, ela também tem que administrar uma carreira de sucesso e conviver com os fãs. Neste momento, entra em cena Hannah Montana, a identidade glamurosa da jovem. Entretanto, a escolha por uma vida de dois mundos traz consequências que atingem não só Miley, como também aqueles que estão próximos a ela.

É nesse ponto que a trama central do filme desenvolve-se. Fica óbvio que a vida atribulada de Miley acaba prejudicando sua relação com familiares e amigos, principalmente Lilly (Emily Osment). Ciente da situação, o pai da estrela, Robby (Billy Ray Cyrus, pai da atriz/cantora também na vida real) leva a filha praticamente arrastada para sua cidade natal no Tennessee, onde também mora a avó de Miley, Ruby (Margo Martindale). O objetivo de Robby é fazer com que a garota encontre o equilíbrio entre as personalidades da estrela Hanna Montana e da adolescente Miley, além de mostrar que ela não deve jamais esquecer suas raízes e nem quem ela verdadeiramente é. Embora seu pai quisesse ver a filha longe dos holofotes por um tempo, Miley não consegue ficar longe da música e acaba atraindo outros problemas na pequena cidade de interior, comprometendo-se a ajudar a população a impedir que um shopping seja instalado no local.

O filme muda um pouco de ares e, em vez de brilho e urbanização, ambienta-se em uma paisagem rural. Mas isso não prejudica a essência dos personagens que conquistaram fãs com a série, afinal não faltam musicais ao longa, e parece que esse é o elemento mais esperado pelos seguidores de Hannah Montana. O enredo é despretensioso, o final, previsível. Entretanto, isso tudo não passa de um grande pretexto para que Peter Chelsom, diretor do longa, pudesse arrastar multidões de jovens aos cinemas. Apesar da grande chance do filme agradar aos mais fãs, é impossível ignorar o fato de que, por vezes, algumas cenas subestimam a inteligência das crianças. O exemplo mais emblemático disso é o ataque de um jacaré a uma criança, que se torna cômico no que deveria ser trágico, tornando trágico aquilo que deveria fazer rir. A comédia pastelão nem sempre alcança seu objetivo quando exige abstrações absurdas desse tipo dos pequenos espectadores.

Hanna Montana: o filme agarra-se mais no sucesso consolidado pela série do que na aposta por um roteiro inteligente ou surpreendente. E, para cobrir possíveis falhas, usa o artifício da música e acaba distraindo e empolgando a plateia que deseja simplesmente assistir à Hannah Montana no que ela sabe fazer melhor: dar show. Querer algo além disso é arriscar-se num campo inexplorado pela franquia até então, e em time que está ganhando…

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Hannah Montana – The Movie
(EUA, 2009). Comédia. Musical. Infantil. Walt Disney Pictures.
Direção: Peter Chelson
Elenco: Miley Cyrus, Billy Ray Cyrius, Emily Osment.

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