CRÍTICA | Harry Potter e o Cálice de Fogo

Ação
// 13/04/2009
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Poucas séries conseguem se esquivar imunes de suas próprias continuações. De fato, Harry Potter encabeça uma lista limitada. Ao contrário do esperado pela indústria, o menino continua sobrevivendo, quebrando e mantendo recordes de bilheterias de forma espetacular. A maior prova disso é Harry Potter e o Cálice de Fogo. Desta vez, enfrentar dragões, mergulhar no lago negro, desbravar labirintos ou duelar intensamente com Lord Voldemort parecem tarefas fáceis quando o assunto é lidar com as incertezas da primeira paixão às vésperas de um baile.

O novo longa da mais lucrativa franquia do cinema em todos os tempos consegue pela primeira vez capturar o espectador em cada quesito, a começar pela direção. O britânico Mike Newell (Quatro Casamentos e Um Funeral; O Sorriso da Mona Lisa) – que consegue explorar cada centímetro da personalidade do protagonista em variadas situações e relações – soube adaptar para as telas não só a história do Cálice de Fogo como também a presença de emoções nos personagens, mantendo a distância e a frieza necessárias para alguns; o ponto alto de Newell.

O fato mais importante das duas horas e quarenta minutos de filme é algo que em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban apenas sentia-se o cheiro: um confronto inevitável. Válvula propulsora para o andamento e desenrolar dos próximos capítulos. Muito bem desenvolvido e esclarecido, o poder de controle de Voldemort sobre cada fato é o elemento que compõe o suspense tão intenso que percorre cada borda da película, do início ao fim.

Mas Harry Potter e o Cálice de Fogo se saiu bem não somente na máquina de mistérios ou no aflorar da tensão sexual própria da adolescência dos alunos (e principalmente alunas) de Hogwarts exibido com cautela. Aproveita também o que de melhor tem no quarto best-seller de J.K. Rowling: a ação e a reação. Potter é jogado como carne fresca ao perigoso Torneio Tribruxo, devendo enfrentar três tarefas cruéis e possivelmente mortais. Tudo meticulosamente elaborado pelo Lorde das Trevas, para a partir da composição do próprio Harry a ele poder se igualar; como numa simetria algébrica.

Boas surpresas aguardam essa adaptação, uma delas é Ralph Fiennes, no papel do tão mencionado Lord Voldemort, mostrando a diferença que um bom ator (com o auxílio da melhor maquiagem e composição gráfica que Hollywood pode proporcionar) consegue fazer; a ponto de tornar nítida a impressão da encarnação do mau num ser que perdeu o controle e a sanidade mental.

Se Harry Potter ainda acha que terá um ano letivo tranqüilo, é melhor contar mais com a ajuda de Rony e Hermione. Harry Potter e A Ordem da Fênix entrou em produção com um orçamento ainda maior, novo diretor e produção técnica ainda mais aprimorada, para este que é considerado por muitos o melhor livro da série – quando desta vez, o mocinho pára de fugir e persegue seu oponente. Demonstrando, assim, o maior feito que uma sequência de cinema jamais conseguiu: amadurecer em todos os segmentos junto ao personagem e ao espectador. Seja no crescimento dos atores ou na evolução de um enredo cada vez mais frio e detalhista. “Afinal, o que é a vida sem uns dragões?”, que o diga Harry.

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Harry Potter and Goblet of Fire (EUA, Reino Unido, 2005). Ação. Fantasia. Warner Bros. Pictures
Direção: Mike Newell
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambom

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Categorias
Ação, Críticas, Fantasia