CRÍTICA: Hellboy II – O Exército Dourado

Ação
// 03/09/2008

A continuação do herói favorito do diretor mexicano Guillermo Del Toro chega aos cinemas na próxima setxa-feira, 5 de setembro. Unindo o melhor do visual de O Labirinto do Fauno e a “sensibilidade” dos blockbusters americanos, Hellboy II – O Exército Dourado é um produto unicamente para divertir, mas sem menosprezar o bom senso.

Hellboy II – O Exército Dourado
por Arthur Melo

Em 2004, um talentoso diretor trouxe às telas um modelo diferente do acostumado ao padrão de herói. Um ser originado justamente do lugar para onde todos os usuários de capa vermelha e cinturões de utilidade querem mandar os inimigos. A idéia parecia controvérsa até mesmo para o criador do personagem, mas Guillermo Del Toro já estava há muito consumido pelo fogo do fanatismo.

Desacreditado até mesmo pela distribuidora – a Sony –, Del Toro teve de se provar mais capaz do que já fizera, e só depois de tamanha aceitação da crítica de O Labirinto do Fauno (e dos milagres que o Oscar pode fazer) é que a Universal abriu suas portas para bem receber Hellboy II – O Exército Dourado. Reavendo os conceitos do primeiro filme e aprimorando-os, o diretor mexicano aplicou o que de melhor tinha na técnica barata e ao mesmo tempo surreal d’O Labirinto.

O único propósito artístico de O Exército Dourado talvez seja se situar do outro lado da linha que divide o antes e depois do filme que proporcionou a Del Toro tanta credibilidade. Hellboy agora anda não só por asfaltos, esgotos e vias subterrâneas. Seu alcance vai até lugares mais profundos e curiosos, dando ao desenhista de produção Stephen Scott todo o espaço e liberdade para criar belos cenários ricos em detalhes, que só podem ser ameaçados, talvez, pelo inigualável trabalho de maquiagem (obviamente muito bem auxiliado pela computação). Em alguns momentos, a fusão do suave e agressivo na composição visual deslumbra.

Mas a produção não está só preocupada em exibir sua capacidade criativa e técnica; por mais que demonstre isso todo o tempo. Os excelentes efeitos visuais – que Del Toro ministra muito bem – estão lá, garantindo ótimas seqüências de ação muito bem elaboradas e argumentadas. A inserção do personagem Johann Krauss (feito de ectoplasma), por exemplo, foi bem trabalhada, pelo modo funcional do seu visual.

A melhor característica de Hellboy II foi não se perder em todo o seu poder. Apesar do alto padrão de produção, o longa utiliza-o como arma para desenvolver a história, ou seja, um mero instrumento. A trama, apesar de simples, não soa idiota e nem se prova incoerente em seu contexto, escolhendo a hora certa para inserir um diálogo explicativo ou uma pancadaria armada, caminhando em bom ritmo até o final. De quebra, ainda há espaço para todos, um fruto de uma opção feita pelos roteiristas que funcionou muito bem.

Após o fim de uma trégua entre a humanidade e os filhos da Terra, o príncipe Nuada resolve despertar um poderoso exército que destruirá e aniquilará o homem. Sendo o próprio Hellboy um ser incompreendido e mal interpretado por muitos dos que ele protege, a distância entre continuar em sua posição ou se unir a Nuada se reduz. É aí que o roteiro retrocede para progredir. Ao invés de investir tempo e argumentos para focar numa reflexão do protagonista, a história apenas insinua isto, sobrando minutos suficientes para desenvolver os demais heróis, presenteando o espectador com a possibilidade de assistir uma ótima performance de Doug Jones como Abe Sapien e sua relação com a princesa Nuala, irmã de Nuada.

Esquecendo os manuais de criação de filmes de heróis (sejam eles ao estilo Batman ou Homem de Ferro), Hellboy II – O Exército Dourado vem para entreter. Uma diversão saudável, sem nenhum direcionamento a análises mais profundas ou muitas apelações para o humor bobo. Se limita a contar a sua história e preparar o palco para a próxima apresentação.

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Hellboy II – The Golden Army (EUA, 2008). Universal Pictures
Direção: Guilhermo Del Toro
Elenco: Jeffrey Tambor, John Hurt, Ron Perlman, Selma Blair, Luke Goss, Doug Jones, Anna Walton

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