CRÍTICA: Herbert de Perto

Biografia
// 07/10/2009

“A vida é sonho” já bradou Waly Salomão. Pedindo licença ao poeta, diríamos que a vida não é só sonho, como também uma imensa história de amor. É essa sensação que temos ao assistir o documentário Herbert de Perto, que trata da vida e da obra de um dos compositores mais férteis do pop rock brasileiro e front man dos Paralamas do Sucesso, Herbert Viana. O filme entra em cartaz no dia 9 de outubro, mas está selecionado para a mostra do Festival do Rio, que acontecerá entre os dias 24 de setembro e 8 de outubro.

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Herbert de Perto
por Cássia Ferreira

Combinando imagens de arquivo com reflexões do próprio personagem, e depoimentos de pessoas como João Baroni, Bi Ribeiro, Gilberto Gil, Dado Villa lobos, os diretores Roberto Berliner e Pedro Bronz conseguiram trazer à tona uma parte da alma do compositor. A sequência inicial nos apresenta um Herbert Viana jovem, agitado e pronto para dominar o mundo, usando como armas boas letras e alguns acordes de guitarra, e que diz ter medo de passar pela vida e não conseguir fazer nada. Nessa mesma sequência, Herbert ressalta que sua maior virtude é a capacidade de trabalho.

Já é 2005 e um Herbert cadeirante, maculado pela perda do amor da sua vida, analisa a fala. Para ele, “esse mané” não sabe o que diz. Para quem vê o filme, fica a sensação de que como um bom poeta, o menino estava agitado, fazendo previsões sobre um futuro bem incerto. E sim, concordamos que sua maior virtude é realmente o trabalho. Do virtuosismo com o qual toca guitarra às letras bem trabalhadas, passando pelas aulas de Castelheano para dominar de vez a Argentina, conhecemos o lado de Herbert que trabalha com afinco.

Da infância nômade – filho de um brigadeiro com uma dona de casa – até o sucesso inicial da banda, conhecemos um Herbert que sempre mostrou aptidão para a música e foi incentivado pela família a desenvolver o talento. Mais tarde, já em Brasília, vemos como aquela cidade foi a mola propulsora para muita coisa que se viu e que perdura até hoje, vinda dos anos 1980. É o Herbert que acredita.

O documentário é daqueles filmes contraditórios, porque ao mesmo tempo em que buscam desmitificar o personagem, acabam criando o mito. Dado Vila Lobos, classifica o músico como um arquiteto do pop. E o que conhecemos é isso. Um músico, que é músico desde a essência como pessoa e que sempre buscou o virtuosismo desde a forma de tocar até na produção da própria guitarra. A história de como galgou o primeiro instrumento também é contada no filme.

Embora Herbert Viana nunca tenha sido um rockstar famoso por ter uma agitada e noticiada vida particular, o seu amadurecimento aconteceu de forma pública e pode ser acompanhada pelo seu público por meio das letras. Os amores perdidos e, principalmente, o grande amor encontrado, com a jornalista Lucy, que trouxe serenidade e uma família linda para o músico.

É até irônico que o grande amor de Herbert chamasse Lucy. Imediatamente somos levados a fazer uma associação bem simples com a música de os Beatles e o seu céu de diamantes. O mesmo céu, que sempre exerceu um grande fascínio ao músico e, não fosse a miopia que o acompanha desde a infância, o teria roubado do rock nacional. O mesmo céu que levou Lucy, levou a mobilidade e amor de Herbert, encerrando pelo menos por enquanto – acredita o músico – a maior história de amor do rock nacional. Não é a toa que o filme é dedicado a ela.

Herbert de Perto é uma excelente pedida para quem viveu toda aquela efervescência ingênua dos anos 1980. Que teve “Óculos” como trilha sonora do início de uma vida sentimental desajeitada, que se indignou com as injustiças com “Alagados” e mais uma sucessão de hits. Mas é também uma excelente oportunidade de conhecer a vida de Herbert Viana. Uma vida fantástica e uma obra ainda em progresso.

nota-8
Hrbert de Perto (Brasil, 2009). Documentário. Sony Pictures.
Direção: Roberto Berliner e Pedro Bronz

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