CRÍTICA: High School Band

Comédia
// 10/09/2009


O maior fracasso de alguns filmes é tentar copiar outros. High School Band, que estreia no dia 11 de setembro, comete esse ato de suicídio. Curiosamente, se saiu bem ao fazê-lo. A arma, ao contrário do que o título no Brasil aparenta, foi não ter copiado o produto errado.

Bandslam (o título original) estreia em breve nos cinemas e certamente vai enrolar muita gente. Isso é bom.

Confira a crítica clicando em “Ver Completo”.


High School Band
por Arthur Melo

Depois de High School Musical conquistar milhões de crianças e adolescentes através da televisão, descobriu-se uma nova porta para o sucesso com este público. Desde então, vários longas (dentre os feitos exclusivamente para a TV e os vistos no cinema) tentaram alcançar o mesmo êxito seguindo a forma e estilo previsíveis e politicamente corretos que a Disney lançou. Felizmente, aos poucos, o conteúdo fraco, plástico e bobo de High School Musical foi se esvaindo, trazendo para os musicais teens partículas mais concretas, expressando nos filmes algum desejo de sair do infantil e chegar à puberdade.

Talvez daí surja um problema que Bandslam enfrentará no Brasil. Graças às suas coincidências com o popular “HSM” e pela presença de Vanessa Hudgens (a protagonista dele), o longa foi intitulado como High School Band por aqui. Uma pretensão de gosto duvidoso, visto que a idéia obtém mais sucesso ao associar aos buracos de High School Musical do que aos poucos acertos – que não vão além do marketing e perfil agridoce superestimado que validaram o sucesso da franquia. Uma ação que pode não ocorrer, mas tem boas chances de falhar.

Will Burton (Gaelan Connell) é um garoto atormentado na escola pela imagem negativa de seu pai ausente e que se muda com sua mãe (Lisa Kudrow, a Phoebe do seriado Friends) para uma outra cidade onde faz amigos pela primeira vez. Lá, o garoto descobre que o que movimenta as escolas do lugar é uma competição de bandas acadêmicas chamada “Bandslam”. Em meio ao período de adaptação, Will conhece Sa5m (o cinco é mudo) – Hudgens – e Charlotte (Aly Michalka), que o acolhe em sua banda num longo processo criativo para dar-lhes a vitória e um contrato com uma gravadora.

À primeira vista, Bandslam incomoda. O início rápido da comédia musical é fraco e inexpressivo, arrastando esta postura até todos os personagens já terem sido devidamente apresentados e interagirem. Findada a enrolação, o filme começa, mesmo que devagar, a tomar uma forma própria. Absorvendo clichês e reaproveitando idéias de outros longas, Bandslam, em um momento, parece seguir a mesma trama central de Escola de Rock, mas sem o tom impagável de Jack Black e suas escapadas para manter a “identidade secreta”. Seria um erro colossal se isto não acabasse por dar o suficiente para apresentar algumas canções com arranjos realmente originais e apreciáveis dentro e fora da tela – além da trilha sonora montada por inúmeras músicas de conhecimento público.

Bandslam supera o usual em produções concorrentes pelo bom trabalho quando o foco não é uma banda ou grupo em execução, e sim os integrantes. Neste quesito, o ainda desconhecido Gaelan Connel é o destaque. Completamente à vontade em cena, Connel passa boa segurança e espontaneidade tanto para exibir os temores e perturbações quanto para a comicidade. Sua contracena com Vanessa Hudgens (cuja personagem tem mais importância fora do arco central, crescendo apenas perto do fim) quando Will quer finalmente se declarar para Sa5m é divertidíssima. Contudo, a existência da garota não se aproxima nem por um instante da importância da bem desenvolta amizade entre Will e Charlotte, funcionando apenas como um cano de escape para evitar novos “mais do mesmo” e provando que a presença da atriz em questão no pôster é apenas mais uma sopa para atrair moscas desavisadas.

Mas Bandslam faz parte de um time. Time este que necessita de finais previsíveis e saudáveis para os menores desacompanhados. Felizmente, a atitude não chega a ser um demérito nem causador de problemas, apenas subtrai alguns pontos. A proposta, no decorrer da projeção, é positiva: há conflitos interpessoais, alguma dose de drama bem medido e articulado, uma premissa facilmente assimilável para o alvo e, principalmente, boa música e nenhuma sequência coreografada por adolescentes estereotipados, pecando apenas na sucessão de desentendimentos entre alguns para prosseguir quando a história se mostra devedora.

High School Band (ou Bandslam – prefira) não é um filme projetado para fãs da citada série de filmes da Disney, como engana o título – e letreiro – nacional. Está, na verdade, a passos distantes à frente. Só é uma pena que assuma, por aqui, o risco de atrair um público equivocado e repelir o mais apropriado. Estes, descrentes de encontrarem aí algo para aplaudir.


Bandslam (Eua, 2009). Comédia. Musical. Paris Filmes.
Direção: Todd Graff
Elenco: Gaelan Connell, Lisa Kudrow, vanessa Hudgens e Aly Michalka.

Comentários via Facebook
Categorias
Comédia, Críticas, Musicais