CRÍTICA: High School Musical 3

Críticas
// 26/10/2008

Finalmente a série de filmes High School Musical chega às telonas. Mas estaria uma equipe acostumada com um veículo menor como a televisão pronta para um passo que aparenta ser tão grande? Descubra na crítica a seguir.

High School Musical 3
por Breno Ribeiro – crítico e colunista

Depois de partir do mundo televisivo e adentrar finalmente no universo cinematográfico de fato, o terceiro episódio da série de longas, High School Musical 3, supera o nível dos anteriores em certos aspectos, permanece igual em outros e, sim, decresce em certos momentos.

As músicas, sempre melhores do que os filmes em si, estão melhores (e maiores) do que antes. As coreografias, outra marca registrada da ‘trilogia’, seguem o ritmo das músicas como nunca e, graças aos cenários também mais grandiosos e fora do eixo televisivo e mais dentro do que podemos chamar cinema, acabaram por se tornar, em alguns momentos, melhores do que as próprias músicas. A direção de Kenny Ortega também cresce nos momentos-chave da narrativa, principalmente na melhor cena do filme, aquela em que os personagens de Ashley Tisdale e Lucas Gabreel cantam seu futuro como estrelas da Broadway.

Embora a idéia principal do longa seja de longe a mais criativa das três, o modo como o tema foi tratado em muito lembra os predecessores, principalmente no que diz respeito aos erros, furos e incoerências. Aliás, a fórmula usada no segundo filme da franquia, envolvendo um suposto afastamento da personagem de Vanessa Hudgens para voltar logo após, é um dos momentos que provavelmente vai te fazer pensar se High School Musical realmente está preparado para a telona. A obviedade do final é outro aspecto que incomoda, uma vez que ele conta com um número extenso de improbabilidades, por mais que elas sejam comuns no gênero.

Por piores que os antigos longas fossem, nunca tiveram um número tão grande de cenas cortáveis, dispensáveis ou totalmente inúteis (entre elas, a repetição de músicas, momentos de certos ‘clipes’ ou até canções inteiras, como “The Boys Are Back”). Além de revelarem a falta total de criatividade e história a ser desenvolvida, elas também tornam a experiência de ver o longa uma tortura momentânea. A melhor personagem é de longe a arrogante Sharpay, contudo é, de certa forma enfadonho, assistir a quase cem minutos de alguma coisa esperando a aparição de um personagem X, e isso fica ainda pior quando o tal não é o protagonista. Por falar nisso, o casal principal dessa vez conseguiu superar o número de melações, dramalhões por nada e chatices dos antecessores. A personagem de Vanessa Hudgens estava particularmente insuportável desta vez e durante o filme ouvi uma pessoa falar “Mas que idiota!” depois de uma de suas falas melodramáticas (dentre tantas).

Preparadíssimo em alguns aspectos técnicos e absolutamente despreparado em termos narrativos, High School Musical fecha um círculo que provavelmente será aberto de novo. Só nos resta torcer para que as músicas e coreografias sigam o caminho que já trilham desde o início e que a equipe de criação narrativa seja trocada por uma mais competente. Porque não queremos só músicas boas. Queremos tudo!

High School Musical 3 – Senior Year (EUA, 2008). Musical. Walt Disney Pictures
Direção: Kenny Ortega
Elenco: Zac Efron, Vanessa Hudgens, Ashley Tisdale e Lucas Gabreel

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Musicais, Romance