CRÍTICA: Imortais

Aventura
// 10/01/2012

Nos últimos dias de 2011 entrou em circuito nacional Imortais (com uma considerável janela em relação ao seu lançamento nos EUA). E, como esta fora uma data ingrata, a crítica foi protelada para agora e você a lê clicando em “Ver Completo”.

Imortais
por Eduardo Mercadante 

Muito tem se falado sobre o conceito de “diversão descomprometida”. Inclusive, muitos filmes costumam receber maiores notas quando os críticos usam esse argumento. No entanto, é hora de refletir, mesmo que rapidamente, sobre o real significado dessa corrente. Para tal, é interessante tomar como ponto de partida o longa Imortais, do diretor Tarsem Singh.

Primeiramente, o filme estabelece parâmetros para a mitologia diferente da cosmogonia habitual. Na história, os “imortais” são os deuses e os titãs. Apesar da denominação, eles podem de fato ser mortos, mas somente por outro imortal, e não por um humano qualquer. Para não se afastar demais do conhecimento do grande público sobre mitologia, ou deuses, liderados por Zeus (Luke Evans), conseguiram prender os titãs no fundo do Monte Tártaro.

Após essa introdução, o enredo começa a se desenvolver com a apresentação de Teseu (Henry Cavill, cuja dramaticidade se resume a gritos e músculos), um bastardo que é treinado nas artes marciais por um andarilho idoso – que, na verdade, é Zeus em sua forma humana. O papel de Teseu na trama é revelado quando o rei Hipérion (Mikey Rourke, bastante confortável no papel de lutador carrancudo – grande novidade) chega à sua cidade, na sua procura pelo Arco de Épiro, a única arma que o permitiria libertar os titãs e trazer destruição aos homens e aniquilar os deuses. Uma vez capturado pelo exército de Hipérion, Teseu se junta ao Oráculo Phaedra (Freida Pinto) – uma linda mulher que desiste de seu dom para ser a mulher de Teseu – e a outros cativos com o intuito de fugir e sair à procura do Arco de Épiro, antes que Hipérion o ache e acabe com o mundo.

O roteiro escrito por Charley Parlapanides e Vlas Parlapanides podia facilmente se tornar difícil de acompanhar; a mudança da cosmogonia e a inserção do Oráculo e do Arco de Épiro são fatores que poderiam ter complicado, e muito, o enredo. No entanto, felizmente – nesse caso –, a “diversão descomprometida” veio a calhar. À exceção de Teseu, todos os personagens são muito mal desenvolvidos. O arco é achado de uma maneira tão boba que o espectador repete a típica pergunta “Como ninguém achou isso antes?” e se indigna, também, quando a virgem Phaedra dialoga sobre a sua situação e logo em seguida age como se pensasse o exato oposto daquilo que se mostrou favorável (não houve a menor preocupação de inserir nem uma pequena dúvida da personagem em tal momento).

Quanto ao enredo, no somatório final, essa simplificação ao extremo só funcionou devido ao trabalho visual e sonoro do longa. O filme faz valer o 3D com soluções extremamente óbvias, como zoom in e out a cada cinco minutos, slow motion (em menor quantidade, quase que para distanciar o filme de comparações – inevitáveis – com 300, de Zack Snyder) e as eternas paisagens. Elas são óbvias, mas é melhor fazer algo simples e direito do que inventanr soluções inovadoras e repetir o 3D horrível já habitual. A fotografia sempre escura e a trilha sonora caprichada em metais, como se esperava de um longa desse gênero, são tão bem trabalhadas que o roteiro simples se torna coadjuvante. No fim, fica claro que a história não era o principal. Simplificando-a, é possível a absorção das muito bem feitas cenas de luta.

Tarsem prova, pois, que sua direção conseguiu aliar grande qualidade técnica visual e sonora a um conteúdo bem fraco e previsível. Se alguém mais lembrar do Avatar de James Cameron – guardadas as devidas proporções –, não se assuste; não estará sozinho. Ao se unir a uma longa lista de filmes épicos com histórias greco-romanas, Imortais quase se perde no limbo dos filmes decepcionantes como Tróia. Entretanto, aliando a “diversão descomprometida” a uma muito competente ficha técnica, o longa se afirma como um dos melhores do gênero e, naturalmente, angaria fãs e haters já na sala de cinema.

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