CRÍTICA | Independence Day: O Ressurgimento

Ação
// 25/06/2016
independence-day-o-ressurgimento

É inegável que Independence Day – o original, de 1996 – é um dos maiores clássicos do cinema no que tange alienígenas invadindo a Terra, além de ser um grande sucesso de público: arrecadou US$817 milhões mundo afora e custou “apenas” US$ 75 milhões. Dessa forma, é natural que esteja presente no imaginário popular e nos planos da 20th Century Fox, que, como outros grandes estúdios e distribuidoras, tanto insistem em reboots, continuações, prelúdios e o que quer que possa ser convertido em cifras. Independence Day: O Ressurgimento – o novo, deste ano – se esforça para transformar a si próprio e seu antecessor em uma franquia, mas não consegue ir muito além do desejo por dinheiro e da megalomania cada vez mais superficial de seu diretor, Roland Emmerich.

Divertido. Essa é a melhor palavra para definir o longa protagonizado por Will Smith, Bill Pullman e Jeff Goldblum exatos 20 anos atrás. Com uma história simplória, mas que abria possibilidades para boas cenas de ação com efeitos especiais inovadores para a época, o filme cumpria seu papel e entretinha o público. E só. É fácil lembrar da Casa Branca sendo explodida por um raio alienígena vindo de uma nave espacial, mas parece não ser tão simples ter um espacinho no coração reservado para os personagens.

A valorização da ação em detrimento do desenvolvimento de personagens e da própria narrativa é uma característica comum aos filmes de Emmerich, mas o mundo está mudando e a cabeça do público também: pouco adianta ter explosões arrebatadoras se elas não tiverem um bom motivo para acontecer nem causarem impacto no que virá a seguir. Mais importante ainda: que graça tem ver cenas mirabolantes se você não se importar com quem participa delas? O maior trunfo de Independence Day é também o maior problema de seu sucessor. O Ressurgimento também tem boas cenas de ação – previsíveis, mas boas – e um visual interessante, mas… Só. Não há nada de errado em ser um filme meramente divertido, uma experiência para ser desfrutada apenas até sair da sala de cinema, mas não fica na memória.

Nesse novo capítulo, os humanos incorporaram a tecnologia alienígena a seu dia a dia e deu passos largos na exploração espacial. Com os povos terráqueos unidos, o foco da defesa mundial é ter meios para combater novas invasões. A magnitude da nave que adentra a atmosfera e se fixa no planeta dessa vez, por si só, já dizimaria toda a vida com tsunamis e terremotos assim que tocasse o solo. Nem mesmo pelo bem da ficção dá para ignorar um erro tão grande. Não convence.

Entre os personagens parece se desenrolar uma competição para descobrir quem é mais raso. Os novatos são muitos e estão longe de ter o carisma daqueles que estrelaram o primeiro filme, mas mesmo as histórias dos veteranos é mal trabalhada e dificulta a criação da empatia. Filmes são memoráveis quando o público consegue se identificar com seus personagens, se relacionar com eles. É difícil se importar com o que se vê na tela quando não há uma ligação emocional com quem está nela.

A explicação para a ausência de Smith não chega a incomodar, mas soa preguiçosa. O personagem de Pullman continua interessante, mas é subaproveitado em meio ao mar de gente que compõe o elenco principal. Felizmente, David Levinson (Goldblum, excelente) e seu pai, Julius (Judd Hirsch) mantêm o carisma noventista e, juntos com o Dr. Okun (Brent Spiner, hilário) são a melhor parte do filme. É uma pena que o roteiro não ajude – até o protagonista, Jake (Liam Hemsworth) é fácil de esquecer – e caia o tempo todo em clichês do gênero, além de subestimar a inteligência do público ao explicar o tempo todo, tim tim por tim tim, o que está acontecendo: da solução de um problema à motivação alheia, há sempre alguém detalhando tudo de forma tão óbvia que chega perto de ofender.

Ainda que Independence Day desperte nostalgia, ela é pelo todo e não consegue se apoiar nos personagens. O Ressurgimento tinha por desafio usar justamente esses personagens como base para trazer o expectador de volta ao universo da saga, mas falha. Com frases de efeito disparadas à exaustão e uma ou outra piada capaz de arrancar uma gargalhada, a continuação fica bastante aquém do que poderia ser.

O filme possui muitos problemas, mas é uma boa pedida para um fim de tarde despretensioso. Tão divertido e – por que não?! – irreverente quanto um jogo de videogame de duas décadas atrás. Aliás, talvez toda a ideia da trama funcionasse melhor no formato de um jogo.

Antes de começarem os créditos, o longa planta a semente para uma possível continuação. Se for regada com uma bilheteria lucrativa, que floresça com raízes mais fortes ou será, também, só mais um filme de fim de semana que ninguém vai se lembrar na próxima segunda.


Independence Day: Ressurgence (EUA, 2016). 20th Century Fox. Ação.
Direção: Roland Emmerich
Elenco: Bill Pullman, Liam Hemsworth e Jeff Goldblum

Comentários via Facebook