CRÍTICA: Intrigas de Estado

Críticas
// 10/06/2009


Trama política e um excelente furo jornalístico que se misturam com conceitos de amizade e fidelidade. Este é o centro de Intrigas de Estado, filme de suspense policial que estreia neste sexta-feira no Brasil. Fugindo da regra de roteiros falhos e cansativos, o longa consegue se destacar no gênero e instigar o espectador a solucionar o caso antes que o próprio filme apresente sua resolução final. Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Intrigas de Estado
Por Débora Silvestre

Um filme composto por uma narrativa de opostos: a velha forma de se fazer jornalismo contra a nova, os antigos ideais de política contra os atuais, a amizade versus a verdade, o respeito do casamento do amigo ou ficar com a mulher do mesmo. E tudo isso muito bem amarrado pelo joguinho manipulista de um único personagem. Esse é o longa Intrigas de Estado, que traz Russell Crowe e Ben Affleck como protagonistas, os quais realizam muito bem seus personagens.

Crowe é um veterano jornalista que se depara com alguns dilemas, entre eles o seguinte a dúvida quanto a possibilidade de realizar sua profissão sempre em busca da verdade e não deixar que o lado pessoal a comprometa. A partir do suposto suicídio de uma mulher que se envolve com Affleck, ele quer provar a inocência de seu amigo, além de assumir uma postura de mea culpa por ter dormido com a mulher dele. Stephen Collins (Affleck), um jovem e promissor congressista, sabendo desse sentimento de culpa, a usará em seu favor para usar o amigo como apenas uma peça de seu jogo contra uma empresa de segurança americana que quer privatizar o sistema de segurança americano.

Está formada a maravilhosa trama que compõe o longa. Repleto de bons diálogos, os mesmos fazem o espectador pensar sobre a questão da lei de segurança nacional americana, a guerra contra o terror no Oriente Médio e o pânico instaurado na sociedade moderna contra o terror. Entre tantas investidas, faz pensar até que ponto essa segurança é colocada visando apenas o bem estar da nação e quantos lucram com a guerra. O cenário, Washington D.C., dá um tom mais realista ao filme, inserindo o espectador cada vez mais no suspense e mistérios que rondam o poder e a política daquele país.

Affleck é frio e calculista, mede perfeitamente aquilo que faz, ao ponto de ser a maior vítima da história, até que ela revela quem, de fato, é a vítima (se é que pode afirmar que existam vítimas naquele enredo). Ele assume e desenvolve a postura de um perfeito psicopata, ao ponto de não se acreditar que dele poderia sair alguma atitude ruim, e que seu envolvimento extraconjugal é apenas uma falha humana.

Contudo, a trama de 127 minutos, a cada um deles, lança um suspense diferente, e até o que poderia parecer um furo é na verdade uma situação aberta: a pessoa (aqui mantido vago para que o leitor se questione quem é esta na trama) sempre soube de tudo, ou foi mais uma peça naquele jogo movimentada de acordo com as vontades de um único personagem?

Atenção também para os personagens coadjuvantes, como a jovem jornalista vivida por Rachel McAdams (que trabalha com McAffrey – Crowe) que mesmo representando a nova maneira de se fazer jornalismo, se adapta ao modo do parceiro de trabalhar, se transformando. Nas palavras do próprio personagem, “é uma jornalista que está a sua frente”. Os demais também representam muito bem, como Ellen Mirren, a editora-chefe do jornal, dividida entre a notícia que de fato é boa, e a vendagem dos exemplares; além de Jeff Daniels, o qual demonstra os ideais e a lógica dos políticos americanos que passam não só para aquela nação, mas para o mundo todo.

Intrigas de Estado sai da esfera do simples gênero policial, alcançando a qualidade de excelente filme, com bons diálogos e personagens muito bem desenvolvidos. Russell Crowe e Ben Affleck acompanham seus personagens de forma brilhante num cenário que se encaixa perfeitamente à trama e num enredo muito bem construído, além de curiosamente apontar como que uma reportagem simples pode levar a um furo de reportagem.

State of Play (EUA, 2009). Policial. Suspense. Universal Pictures.
Direção: Kevin MacDonald.
Elenco: Russel Crowe, Ben Affleck e Rachel McAdams.

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Categorias
Críticas, Suspense, Thriller