CRÍTICA: Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

Ação
// 17/03/2011

Prometer alguma coisa já é perigoso. Prometer bastante é quase morte súbita. Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles criou uma expectativa bacana em volta de uma visão diferente do vai-e-vem de alienígenas no planeta Terra, mas não chega onde deveria. Com tantos clichês e lugares comuns não de ficção científica, mas do estilo blockbuster hollywoodiano bem desgastado – e que muitos longas tentam fugir – o filme desaponta.

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Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles
por Arthur Melo

Quando Independence Day estreou, havia um claro motivo para o sucesso acontecer: os efeitos visuais. Na época, o uso da computação ainda estava esticando suas pernas e unir a qualidade gráfica com a velocidade era garantia de uma boa resposta de um público que ainda se surpreendia com isso. Hoje, a técnica evoluiu a ponto em que não podemos estabelecer comparações. No entanto, o choque do produto final não é mais o mesmo. O espectador se tornou mais exigente e volta a procurar na história alguma coisa que devolva o que pagou na bilheteria. História, na verdade, Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles não tem. Efeitos visuais, sim. Mas não é nem em um nem em outro que estão as respostas para a gorda arrecadação de estreia nos EUA e nem para a decepção que o longa vem a ser.

No filme, um exército alienígena com extenso poder de fogo invade a Terra atraído pelo maior recurso natural que temos: a água. Cabe agora às forças militares ao redor do mundo lutarem contra essa ameaça para a vida em nosso planeta ser mantida. E ponto pacífico. Ramificações e adjunções à parte, que endossam o caráter mais humano e menos bélico do filme, a trama é em sua totalidade essa.

Mesmo sob o chapéu do simples fato de ser uma ficção científica rodeada por aliens e pirotecnia – o que já garante um rendimento monetário satisfatório – Batalha de Los Angeles resolve mudar o foco. A ideia é das melhores, mas a execução beira a mediocridade em uma única etapa que eclipsa todo o resto. Filmes recheados por explicações científicas, manobras de governos, civis tentando a sobrevivência e pontos turísticos internacionais virando farinha – e lembre que até apartheid já teve – estão descansando no banco de tão explorados que foram. A novidade agora é relatar como que aquele mesmo exército, coadjuvante de todos os longas passados, agiria em uma invasão interplanetária. Para isso, saem os interesses internacionais, a correria de evacuação e entra quase que de maneira crua o campo de batalha. Ou assim mesmo, crua, deveria ser. Mas não é. E vem o grande escorregão.

No primeiro ato a direção de Jonathan Liebesman até segura bem o tranco. Com a escolha de ângulos alternativos, enquadramentos já bem fechados e uma câmera “nervosa”, admite às cenas mais simples o dever de salientar uma pressa que avisa que o objetivo do filme não é aquele, mas sim uma necessidade para dar a base emotiva que será tão forçadamente requisitada no futuro. Uma pena que suas opções como diretor mostrem serem não um jogo de sagacidade, mas sua única arma de batalha, recarregada e reutilizada ao longo de toda a projeção. Quando as sequências que exigem um panorama mais ambiciosamente planejado voltam a sacolejar e se desordam diante dos olhos, a linha de defesa do exército passa a deixar vulnerável toda a sua fraqueza em tela.

Invariavelmente, Batalha de Los Angeles cai no clichê (não confundir com previsível – o que de fato também é, mas não é esse o ponto) e mostra como que uma abordagem à frente armada norte-americana pode ser mais água com açúcar do que comédia romântica. Eis então o dilacerante resgate às lágrimas e descontrole dos soldados que vêem um amigo morrer em batalha – porque, afinal, ele tem mulher e filhos, dando a deixa para a pieguice de um “ele não merecia” ou “eu quem deveria ter sido” -, o líder que precisa escolher entre os seus entes queridos e o êxito em guerra, a briga de egos entre dois membros de semelhante competência (mas que sempre vão trocar as armas pelo tricô em algum momento), as “promessas de pombo correio” para o companheiro moribundo, as súplicas de “por favor, acorde” para um recém-falecido (o que despertou alguns risos contidos) e, o mais recorrente, o herói destemido totalmente desapegado a sua vida, que salva qualquer situação no último segundo e arranca frases dos parceiros como “O que? Não, é suicídio!” – ápice da pedância só por existir em cena. A lista é enorme e inclui até a incansável Michelle-Macho-Rodriguez (incrível, ela não sabe fazer outro tipo de papel?).

Claro que há alguma salvação. “Extratextual”, mas há. Além da trilha sonora muito acertada em cenas precisas – e excepcionalmente apagada em outras -, dos efeitos visuais acima da média e da impecável edição de som (protagonista da irretocável sequência de reconhecimento de terreno inimigo no primeiro ato do filme), a tecnologia 4K (exclusivo nos cinemas UCI) da Sony Eletronics é definitivamente um primor. Logicamente, não é um mérito da produção. Mas o fato de Batalha de Los Angeles trazer ao Brasil as primeiras exibições no formato com legendas em português merece algum respeito. A tecnologia presenteia o espectador com uma qualidade de imagem até quatro vezes maior do que a dos cinemas comuns em 2K (é quase como assistir a uma TV Full-HD gigantesca, já que mesmo com o tamanho da tela, a imagem não sofre pixelizações).

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles fracassa no que promete. Se porta como um bom blockbuster, mas esquece de fazer jus à sua própria ideia de apresentar o novo no que já está desgastado. Amargura – pelo menos por enquanto – na expectativa de um Super 8 cujo hype, se bem justificado, colocará o filme do exército de L.A. no esquecimento.

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Battle: Los Angeles (EUA, 2011). Ficção Científica. Columbia Tristar
Direção: Jonathan Liebesman
Elenco: Bridget Moynahan, Aaron Eckhart, Michael Pena.
Trailer
Entenda um pouco melhor o que é e como funciona a tecnologia 4K no site da UCI.

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