CRÍTICA | jOBS

Biografia
// 09/09/2013

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Atrasado mas, enfim, publicado. jOBS, a nova cinebiografia do fundador da Apple é um aperitivo do que esperamos que venha a ser a produção que um outro estúdio está desenvolvendo: uma trama que saiba em que se aprofundar e nos argumentos para convencer o que expõe.

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Por Luan Tannure

Polêmico e inovador, Steve Jobs foi, sem dúvida, uma das personalidades mais marcantes do final do século XX. De hippie a guru tecnológico, é preciso admitir, seja você “applemaníaco” ou não, a sua influência direta no modo como a tecnologia nos envolve fez com que os produtos do fruto proibido o tornassem uma das mais valiosas marcas dos últimos tempos.

Jobs, o novo filme de Joshua Michael Stern (Promessas de um Cara de Pau) vem nos contar a trajetória desse homem emblemático, desde os tempos que ignorava os calçados pela Reed College até o lançamento do iPod. Curiosamente, em tempos digitais, chama a atenção o fato do filme de um ícone tecnológico se apresentar em película. Uma ironia que soa mais como uma bela homenagem e que contribui, e muito, na ambientação dos anos 70.

Ashton Kutcher, provavelmente no seu papel mais esforçado até então, se aproveita do porte físico parecido para nos fazer crer no seu Steve (e palmas para a ótima caracterização do personagem), mas sua atuação vai de momentos em que temos o próprio Steve em cena a trechos caricatos, tamanha a força e grandiosidade que o filme incessantemente procura dar ao protagonista. Cada ação, cada fala e pensamento se tornam determinantes. Tudo o que vem dele tem uma necessidade de autoafirmação revolucionária. A trilha sonora, que apesar de boa, marca todos esses momentos e se torna previsível durante todo o longa. Como se não bastasse, Kutcher carrega um histórico fílmico de citações dispensáveis, o que torna a aceitação do público pelo ator e personagem mais difícil.

Por se prender demais nesse modo de explorar o personagem, o verdadeiro Jobs fica de lado. O que poderia ser um filme muito mais intimista de sua mente não convence porque faz questão de martelar a figura de um Jobs heróico e o seu maior (e justo) legado: a Apple. É por esse motivo também que o filme sofre de uma crise de identidade: o roteiro não sabe se deve se aprofundar no personagem ou na empresa e, mesmo que pareça impensável distanciar essas duas entidades, nem o diretor pareceu se preocupar com um protagonista que pode acabar sendo taxado de mimado e temperamental.

Enquanto isso, na vida real, Steve Wozniak (cofundador da Apple ao lado de Jobs) tem toda a razão quando critica esse lado “fantasioso” e “que não valoriza os outros criadores da empresa”. O que de fato não acontece. São poucos os espaços que sobram aos coadjuvantes na trama (que por sinal apresentam uma constância na atuação, ao contrário de Kutcher) e nesses poucos momentos competem, em vão, pelo espaço na tela contra o toque de Midas de Jobs.

Parece mágica? Pois é essa a impressão que o filme pode passar aos desavisados da sessão. Depois de anos afastado pela diretoria da maçã, num rápido flashfoward ocorre a reviravolta da vida de Jobs quando sua nova empresa, a NeXT, é comprada pela Apple e agora ele se vê na missão de tirar da falência a sua criação. Os fatos vão ocorrendo, mas não há nada que os sustente. Apenas a sensação da predestinação de Steve ao sucesso.

As comparações com A Rede Social são inevitáveis. Mas o abismo que separa os dois filmes é grande demais para permitir que Jobs possa estar ao alcance deste. Se estivesse vivo, Steve Jobs provavelmente demitiria toda a produção e elenco por “não compartilhar da mesma visão”, coisa que aqui nitidamente ocorreu. Mas com uma outra versão encomendada pela Sony à caminho, quem sabe o próximo Steve Jobs não se sai mais “cool”?

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jOBS (EUA, 2013). Biografia. PlayArte.
Direção: Joshua Michael Stern
Elenco: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad, J.K. Simmons.

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Categorias
Biografia, Críticas, Drama