CRÍTICA: Jogando com Prazer

Comédia
// 23/09/2009

E quando a comédia romântica parafrasea a bolsa de valores? Ao menos os riscos ao público espectador são bem menores, visto que neste tipo de filme o resultado é sempre premeditado sem grandes chances de reviravoltas. Talvez, com isto, seja preferível o não investimento num ingresso ou Jogando com Prazer, com Ashton Kutcher tem seus retornos?

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Jogando com Prazer
por Cássia Ferreira

Na prática econômica, spread é a diferença entre os juros que os bancos cobram sobre as aplicações e os juros que eles recebem dos investidores. Em um português bem claro é o lucro que as instituições bancárias alcançam nessa relação com investidores e clientes. O novo filme de Ashton Kutcher, Jogando com PrazerSpread -, que estreia no próximo dia 25 de setembro, é uma mostra do que seria essa prática se pudéssemos mensurar o resultado de tudo que investimos em nossas relações e as intenções que colocamos nela.

Para Nikki, personagem de Ashton Kutcher, a vida poderia se resumir numa questão de investimentos e lucros. Acostumado a levar a vida fácil e tendo como principal ocupação encontrar a melhor maneira de se dar bem com as mulheres, o personagem consegue o seu sonho da vida fácil ao encontrar Samantha (Anne Hache), a mulher madura e bem sucedida que troca dinheiro (e todo conforto que ele pode proporcionar) e boa vida por sexo. Como comédia romântica que se preza, o filme tem uma reviravolta quando Nikki conhece Heather, personagem da estreante Margarita Lavieva, que faz o bon vivant colocar tudo a perder. Nikki, na verdade é um daqueles caras lindos e inconsequentes, que acreditam que a beleza, apenas, é suficiente, e que o tempo não passa nunca. Constrói relações vazias – baseadas no interesse – com todas as pessoas de seu convívio. Heather nada mais é que uma versão feminina de Nikki, que vai ensiná-lo a jogar; a perder e a ganhar. Como uma boa aplicação financeira.

Sem grandes atuações ou recursos de filmagens, o longa se desenrola de maneira simples. Kutcher faz o que pode na condução de um protagonista vazio de um filme vazio. Ao mesmo tempo, o filme é um grande resumo da vida em uma cidade como Los Angeles, e do que é preciso fazer para se integrar naquele meio repleto de nada. Anne Hache convence como uma mulher madura e bem sucedida e até nos deixa em constrangimento diante do que uma mulher “inteligente, solteira e sozinha” pode fazer na busca ensandecida por uma companhia, fingindo desesperadamente que tudo não passa de sexo.

Aliás, sexo é o que não falta. Uma infinidade de cenas de sexo desnecessárias complementam um enredo carente de sustentação e óbvio o suficiente para não nos trazer nenhuma surpresa no desenrolar da história. Afinal, quem aí tem alguma dúvida de qual seria o final de um cara que constrói suas relações baseadas no interesse? Ainda mais sendo este um filme classificado como comédia romântica? Como no mercado financeiro, essas relações são apostas que podem trazer retorno rápido, dado o tamanho do risco que representam.

Na verdade, este filme é uma excelente oportunidade de conferir como o tempo tem feito bem ao marido da Demi Moore, apenas e tão somente. E como ela se saiu muito bem na bolsa de valores sentimentais. Só isso.

nota_4
Spread (EUA, 2009). Comédia Romântica. Imagem Filmes.
Direção: David Mackenzie
Elenco: Ashton Kutcher, Anne Heche, Maria Conchita Alonso

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance