CRÍTICA: Jogos Mortais 6

Críticas
// 05/11/2009

Já vem se arrastando desde 2001. Jogos Mortais iniciou a série de maneira excepcional. Uma história boa, com um roteiro bem medido e uma forma de utilizar o terror no cinema com roupagem nova e inteligente. Mas a ganância fruto da boa recepção do público pelo primeiro filme proporcionou uma safra de continuação que pouco-a-pouco foram deixando ainda mais a desejar (desejar não ter sequer entrado no cinema). Jogos Mortais 6 é um tantinho melhor que seu anterior, mas prova que o destino da série, realmente, é a morte. E que ela venha na sequência!

Jogos Mortais 6
por Breno Ribeiro

Em 2004 o público presenciou o surgimento de uma franquia de terror que prometia ser ao mesmo tempo assustadora e paralelamente dramática ao seu modo. Não apenas as armadilhas de Jigsaw eram engenhosas e assustadoras, como tinham também um propósito básico de fazer cada uma daquelas pessoas terem mais valor por suas próprias vidas, uma vez que a do próprio ‘assassino’ se encontrava por um fio. Aliás, à época do original, até mesmo o nome ‘assassino’ era questionável, pois todos os jogos tinham uma saída que requeria um grande esforço por parte do jogador. Assim, chegamos ao sexto filme da franquia Jogos Mortais VI com um sentimento de que muito da premissa interessantíssima do primeiro longa se perdeu ao longo do tempo.

Continuando diretamente a partir do final pífio do anterior, o sexto capítulo da série lida com os problemas enfrentados por Mark Hoffman, cúmplice de Jigsaw, em esconder sua identidade ao passo que dá continuação ao dito como último jogo de seu mestre (palavras ouvidas desde o quarto longa, diga-se de passagem).

Lida por alto, a sinopse deste episódio é idêntico ao anterior. E realmente o é. Embora com jogos um pouco mais bem elaborados (o labirinto é melhor do que qualquer armadilha vista nos dois últimos longas), a narrativa se perde em querer ser muito expositiva em suas explicações. E, enquanto o final do quinto consistia simplesmente em um anticlímax, o término do sexto é, pela primeira vez na franquia, previsível o que, para uma série conhecida por seus encerramentos chocantes, é um grande fiasco.

Diferente do que propunha o original, as armadilhas aqui são claramente feitas de campo batalha. Em todos os jogos, com exceção do último talvez, alguém precisa morrer. Não por uma questão de altruísmo e bem do grupo, as pessoas precisam lutar da maneira que seja para sobreviverem às custas da morte do outro, o que vai em direção diametralmente oposta à questão original de que todos merecem uma segunda chance se lutarem contra seus defeitos para merecê-la.

Com um encerramento que mais uma vez deixa brechas para filmes posteriores, surge no público (ou na parte dele que resistiu a tantos filmes) o receio de que a franquia Jogos Mortais soe mais e mais maquinal e vazia com o passar dos anos. E com a promessa de mais dois novos filmes para 2010 e 2011, fica uma pergunta: quando os produtores se erguerão, chegarão a porta do banheiro e dirão a sua própria falta de senso: “Game Over”?

nota-5Saw 6 (EUA, 2009). Terror. Lionsgate.
Direção: Kevin Greutet
Elenco: Tobin Bell e Shwanee Smith

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Críticas, Terror