CRÍTICA: Jogos Mortais – O Final

Críticas
// 04/11/2010

Jogos Mortais se provou resistir ao (curto) tempo. Para uma série de terror, chegou muito longe indo a sete filmes em tão pouco tempo e com um interesse regular de seu público, mesmo que as tramas tenham decaído à medida que os novos episódios iam sendo lançados. Jogos Mortais – O Final, sétimo e “último” filme, agora em 3D, é o tipo de produto que cumpre apenas a obrigação de fechar um enredo – de maneira bem mal feita, mas ainda assim, e seguindo os objetivos comerciais dos produtores, deixa um punhado de perguntas que possibilitam estender a franquia nos cinemas por pelo menos mais três filmes. O que pode vir a ser ou não um tiro no pé.

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Jogos Mortais – O Final
por Ross Miller

Se os fãs da série Jogos Mortais esperam que esse filme finalmente revele o que está por trás da mente de John Kramer, o Jigsaw, vão se decepcionar. O filme, que promete ser o capítulo final da série, responde muito pouco sobre as motivações de seu protagonista e parece encerrar mais o ciclo do policial Hoffman à frente dos jogos do que os jogos em si.

O enredo de Jogos Mortais – O Final é centrado em Bobby Dagen, um sobrevivente dos jogos que ganhou fama e dinheiro com essa história. Tal condição acaba servindo como âncora para o reaparecimento de muitos sobreviventes dos jogos sádicos de Kramer , especialmente o Dr. Gordon, o sobrevivente do primeiro dos – até este momento – sete longas. Porém, Dagen esconde algo. E é justamente esse segredo que o coloca no centro dos jogos de Kramer.

Os jogos não trazem quase nada de novo, o que não deve ser algo que incomode os fãs menos exigentes. As geringonças sádicas, as auto-mutilações e as escolhas sobre quem deve viver ou morrer continuam lá. As poucas novidades incluem uma apresentação ao vivo das torturas em praça pública e o uso do 3D para tentar recuperar a atenção da série que vem se perdendo a cada episódio.

Avaliando o filme isoladamente, não é ruim. Traz o que todo fã da série quer ver. Mas para os fãs que esperavam, de fato, um capítulo final, é frustrante por não oferecer as respostas que tanto o público quer saber. Quando os créditos começarem a rolar pelo telão, duvido que algum fã saia da sala acreditando no que os produtores disseram sobre este ser o último da série. Apesar de que isso já soa falso quando os mesmos dizem que este é o último mas pode haver um oitavo.

Aliás, esse é o grande mal de Jogos Mortais. A série é a grande galinha dos ovos de ouro da Lionsgate, graças a qualidade do primeiro filme, marco do cinema de terror da primeira década do século XXI. As  motivações de John Kramer , reveladas a gota a cada filme, é um atrativo narrativo muito mais poderoso do que tripas voando –  pelo menos para quem deseja algo a mais do que isso. Mas o que era para ser uma série cinematográfica está se tornando uma novela chata. Seus produtores não estão sabendo a hora de parar, e se pararem de fato neste filme, como prometem, estarão cometendo um erro ainda maior, pois o longa não só não responde nada, como gera novas perguntas.

E se os produtores anunciarem um oitavo filme como o último, o derradeiro, aquele que irá revelar tudo o que está dentro da mente de Jigsaw e fechar de uma vez a cloaca da galinha da Lionsgate, sinto que estarão desacreditados o suficiente para atrair o público que este filme atraiu, pelo menos nos EUA, que apesar de estar na primeira posição entre os mais vistos, é a terceira pior arrecadação da série.

Comentário isolado, para quem é fã é série: se Jogos Mortais fosse um filme espírita, John Kramer já teria reencarnado.

Saw 3D (EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália 2010). Terror. Imagem Filmes.
Direção: Kevin Greutet
Elenco: Tobin Bell
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Críticas, Terror