CRÍTICA: Jogos Mortais V

Críticas
// 30/10/2008

Quando estreou, em 2004, a série Jogos Mortais se mostrava a nova grande promessa da indústria do terror/suspense e virou mais uma franquia pop que conseguiu alguns fãs ou, ao menos, um público cativo. Saiba como a saga chega a seu quinto episódio, que estréia amanhã no Brasil, clicando aqui.

Jogos Mortais V
por Breno Ribeiro

Se levarmos em conta o nível da maioria esmagadora dos filmes seqüenciados de terror, ter seu principal vilão morto no final de algum episódio não seria algo que rebaixaria (mais) o filme. Não é o caso da série Jogos Mortais. Ao final do terceiro capítulo da saga de Jigsaw e seus jogos, vimos o grande vilão da trama morrer, e durante o quarto longa presenciamos as armadilhas deixadas pelo mesmo para após sua já prevista morte.

Jogos Mortais V, seguindo a linha do quarto filme, começa onde o terceiro terminou: a morte de Jigsaw e todos os eventos que se sucederam à morte do vilão, sob outras perspectivas. Durante a narrativa, o novo cúmplice de Jigsaw luta para manter sua real identidade oculta enquanto tenta prosseguir com o legado de seu mestre.

O longa se pauta basicamente em ligar pontas soltas deixadas ao longo dos quatro (sim, dos quatro) anteriores, ao passo que abre outras perguntas que provavelmente só serão respondidas no sexto (e prometido como último) filme da franquia. Se seguir com a história do anterior se mostrou uma tarefa árdua (embora bem realizada) para os roteiristas e produtores, esse novo roteiro soa muito mais maquinal que os anteriores e, pela primeira vez na história da série, termina de forma decepcionante. Nada de corpos “mortos” levantando, cofres se abrindo, crianças deixadas ao léu ou o surgimento de um inesperado cúmplice, o que temos aqui (e acalmem-se, não vou revelar nada) é o simples mais do mesmo, nada que já não tenha acontecido antes.

E se o final, sempre a parte mais esperada pelos fãs de suspense, decepciona por não trazer uma conclusão lógica ao ciclo do próprio filme, o mesmo se pode dizer das “armadilhas”. Sempre engenhosos, os jogos da parte cinco, em sua maioria, aparentam ser mais “vulgares” que os de outrora e, diferente de antes, levam à risca a máxima do ‘sobreviva a qualquer custo’. É interessante perceber que a única delas que realmente lembra algo feito anteriormente (o ‘pêndulo’ que abre a história) é descrito no meio do longa como ‘mal feita’. Ironia narrativa?

Um dos únicos aspectos ainda remanescentes do original, a trilha continua seguindo o curso no qual está desde o início. O horripilante tema que anuncia o aparecimento do ‘boneco’ (nunca tão pouco utilizado) e a música que precede e segue o tão esperado clímax ainda estão lá. Ainda bem!

Uma vez tão promissora, a série de filmes Jogos Mortais segue para um final que, ao que podemos ver, não fará jus ao seu início. Não que devamos esperar a mesma emoção que sentimos ao ver Jigsaw levantando ao final do primeiro capítulo, mas pelo menos podemos esperar algum tipo de emoção. A sensação que fica é que tudo que é mostrado ao longo do quinto episódio poderia muito bem ser encaixado anteriormente. Dessa vez, ao que parece, Jigsaw jogou com os espectadores, cuja força de vontade deverá ser grande para irem assistir ao fim da saga. Que os jogos comecem (no sexto)…

nota-5Saw V (EUA, 2008). Terror. Lionsgate
Direção: David Hackl
Elenco: Elenco: Tobin Bell, Mark Rolston, Carlo Rota, Al Sapienza, Mike Butters

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Críticas, Suspense, Terror