CRÍTICA: Jovens Adultos

Comédia
// 06/04/2012

Repetindo a fórmula de Juno, a dupla Diablo Cody e Jason Reitman, no roteiro e na direção, respectivamente, fazem de Jovens Adultos uma boa comédia mais por conta da construção dos seus personagens do que pela história em si.

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Jovens Adultos
por Gabriel Giraud 

Diablo Cody se consagrou como roteirista de Juno. Agora ela repete o clima “filme-cool” sobre os individualismos e relacionamentos pós-modernos em contraste a um cenário pacato. Jovens Adultos poderia ser um desenrolar natural de Juno. Em vez de uma garota ter que deixar sua inocência pueril para rumar pela maternidade, uma mulher não consegue se livrar dos seus vícios adolescentes. E, por vícios, não estamos falando de drogas. Estamos falando de vícios de linguagem, vícios de comportamento, de atitudes e de visão sobre a vida.

A visão de vida da perspectiva de Mavis (Charlize Theron) se encaixa num desses roteiros de série adolescente, do estilo Gossip Girls. Ela é mais uma dessas garotas lindas — exceto pelo fato de ela já ser uma mulher. A construção de Mavis é puramente irônica; ela não só é uma gossip girl como também escreve esses roteiros. E a menina popular do colégio que se tornou mais velha não encontrará o jogador de futebol americano da sua high school.

Apresenta-se um personagem espectral e substancial a Mavis. Trata-se de Freehauf (Patton Oswalt), o nerd da high school que se vê face à Mavis no momento em que ela decide voltar à sua cidadezinha natal. A garota popular não reconhece o nerd da época do se colégio, mas reconhece uma empatia que levará ao seu autoconhecimento, como um espelho que, mesmo mostrando seus lados contrários (em que esquerda se torna direita e vice-versa), revela o sujeito como objeto. Esse objeto espectral é visto pelo sujeito como verdade substancial e irrefutável, e por isso mesmo haja uma grande resistência de fitá-lo e aceitá-lo.

A trama é um coadjuvante delicioso no roteiro. O foco na construção dos personagens é o que permite o filme alçar voo. Esse voo pode ser interpretado como as reações possíveis aos acontecimentos desses personagens tão ligados ao tema da vontade e angústia. Elas, ao mesmo tempo que surpreendem, nos parecem extremamente familiar. É provável que esse tipo humano angustiado, carente e obcecado por suas vontades exista em todos nós, mesmo que ele se precipite em suas ações. Mas, afinal, quem nunca tomou uma decisão precipitada?

Jason Reitman, diretor de Obrigado por fumar, Amor sem Escalas e Juno, não se precipitou ao cair vertiginosamente no universo de Mavis e Freehauf. O diretor apostou numa visão que explora a nova geração – estúpida demais para lidar com os complexos sentimentos que a avassalam, seja pela frustração da beleza, pelo compartilhamento de momentos e acasos ou pela incompatibilidade de perspectivas. Mesmo com as limitações que devem ser impostas para que o filme alcance uma maior popularidade, ele soará mais instigante aos jovens mais adultos.

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Young Adult (EUA, 2011). Comédia. Paramount Pictures.
Direção: Jason Reitman
Elenco: Charlize Theron, Patrick Wilson, Potton Oswalt

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Comédia, Críticas