CRÍTICA | Jurassic Park

Aventura
// 13/04/2009
Jurassic Park, a maior bilheteria do cinema até 1997

Em 1975 o jovem diretor Steven Spielberg atribuiu um novo significado à palavra ‘blockbuster’ ao filmar o drama de uma cidadezinha costeira alarmada pelos ataques de um tubarão. Em 1993, o público, os protagonistas e os lucros viriam a ser ainda maiores. O filme? Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros.

Nas palavras do próprio Spielberg: “Depois de ‘mamãe’, ‘papai’, ‘sim’ e ‘não’ a quinta palavra que uma criança normalmente aprende é ‘estegossauro’.”

Aproveitando-se do natural fascínio humano (e especialmente infantil) por dinossauros e do enorme sucesso do romance homônimo do escritor americano Michael Crichton, Spilberg e os executivos da Universal lançaram-se na empreitada de produzir algo inédito no que se referia ao realismo proporcionado por técnicas de computação gráfica. O resultado foi bem além e Jurassic Park venceu três Oscars e permaneceu 5 anos no topo das maiores bilheterias da história do cinema.

Na história, um excêntrico milionário (Richard Attenborough), investe sua fortuna num empreendimento dispendioso16 e sem precedentes: num paradisíaco arquipélago costa-riquenho, John Hammond constrói uma reserva biológica habitada por nada menos que dinossauros recriados geneticamente. Como? Do sangue retirado do estômago de mosquitos pré-históricos preservados em âmbar, algo plausível para a ciência moderna. Entretanto, para a inauguração do parque, Hammond precisa do aval de três especialistas e é aí que entra nossa trupe de adoráveis sofredores: Sam Neil, como o paleontólogo Alan Grant, a bela Laura Dern, como a paleobotânica Ellie Satler e Jeff Goldblum, na pele do matemático pessimista Ian Malcoln. E em tratando-se de Spielberg, não poderiam faltar elas: crianças. Em Jurassic Park elas são Lex e Timmy, netos de Hammond. A visita inaugural, é claro, não sai como o esperado: um funcionário mal intencionado desliga o sistema de segurança do parque para roubar embriões e aí… Aí somos brindados com memoráveis cenas como a do ataque do T-Rex ao Ford Explorer ou a da dupla de insaciáveis raptors na cozinha.

Das locações belíssimas na ilha de Kauai, no Havaí, aos veículos de passeio, tudo remonta à pré-história em Jurassic Park, resultado obtido após longas reuniões de pré-produção.

Spielberg sabe como ninguém manipular emoções e, no ritmo eletrizante de Jurassic Park, elas oscilam do deslumbramento a agonia em segundos. Os personagens humanos, tidos como coadjuvantes, atuam com competência dentro das limitações dos papéis, garantindo o quê de humor inerente aos filmes de aventura. David Koepp, o roteirista, conseguiu extrair das mais de 400 páginas de Crichton – uma obra bastante técnica convenhamos – um texto correto, injetando algum carisma nas personagens e sagacidade nos diálogos. Jeff Goldblum que o diga.

A trilha sonora, uma das mais inspiradas composições do mestre John Williams, contribui para imortalizar cenas como a da chegada do helicóptero a ilha ou do primeiro encontro do Dr. Grant com um dino.

Pode-se dizer que Jurassic Park encerra com brilhantismo a fase de (boas) superproduções de Spielberg, iniciada com Tubarão. No mesmo ano, A Lista de Schindler viria a assinalar o ‘amadurecimento’ do diretor.

Saudades de uma época em que blockbusters ainda tinham potencial de clássicos.

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Jurassic Park (EUA, 1993). Aventura. Ficção-Científica. Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Jeff Goldblum, Sam Neill, Richard Attenborough, Samuel L. Jackson, Laura Dern

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