CRÍTICA | Jurassic World: Reino Ameaçado

Aventura
// 21/06/2018

Mais ambicioso e recompensador, em termos de narrativa e conteúdo, do que o primeiro filme da saga reboot/spin off/sequência do clássico moderno dos dinossauros idealizado na década de 1990 por Michael Crichton e Steven Spielberg, Jurassic World: Reino Ameaçado é um blockbuster digno, ainda que nada inovador. Dotado de belos visuais e algumas doses generosas de tensão, o longa, dirigido pelo espanhol J.A. Bayona, mostra notável respeito, além de engenhosas e bem encaixadas referências ao material original, e dá um passo, ainda que não totalmente seguro, rumo ao resgate da relevância da franquia como algo além de simples equivalentes cinematográficos de um parque temático – independentemente das tramas.

Enquanto as pontuais e eficientes participações do matemático teórico do caos Ian Malcolm (Jeff Goldblum) estabelecem o link direto com a primeira trilogia jurássica, a história em si nos é novamente apresentada primordialmente a partir dos olhos da dupla formada pelo treinador de velociraptores Owen Grady (Chris Pratt) e a ex-executiva-agora-ativista Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), dois personagens vividos por bons atores que, curiosamente, apresentaram o carisma combinado de uma porta de mogno no primeiro filme, mas agora retornam com um tantinho mais de personalidade e alma.

Os protagonistas contam com apoio dos eficientes e dedicados especialistas – mais ela que ele – Zia e Patrick, interpretados com entusiasmo e competência equivalentes por Daniella Pineda e Justice Smith (da série The Get Down), respectivamente, para resgatar os dinossauros remanescentes no planeta quando o vulcão, outrora inativo, da Ilha Nublar ameaça entrar em erupção. Como indaga o próprio Grady, em dado momento: o que poderia dar errado numa missão como essa? Evidentemente, muita coisa, especialmente quando temas habituais da saga, como a ganância humana versus a incontrolabilidade da natureza, bem como a ética humana em relação ao próprio poder de manipulação e criação genética, entram na equação.

Bayona, enquanto diretor, mostra mais desenvoltura e bom gosto que seu antecessor, Colin Trevorrow, que retorna, ao lado de Derek Connolly, como roteirista, na atualização do estilo Spielberg de construir cenas de ação e tensão que funcionam quase como quebra-cabeças, na forma de situações construídas passo a passo que operam por regras específicas, como eram o caso da sequência da cozinha ou da fuga de jipe do T-Rex em Jurassic Park, por exemplo, que são devidamente referenciadas, direta ou indiretamente, no novo filme, de formas que graciosamente fogem do óbvio. Um excesso de “salvadinhas de última hora”, contudo, acaba tornando as coisas mais previsíveis do que o desejável em termos de ação, mas ainda assim, no geral, temos aqui as melhores sequências do tipo na série desde O Mundo Perdido, a continuação spielbergiana de 1997.

Os questionamentos filosóficos propostos pela trama, contudo, não são tratados com o mesmo cuidado e coerência, e, embora deem margem a alguns momentos genuinamente reflexivos e tocantes – inclusive, também, esteticamente –, são relegados ao segundo plano diante da necessidade de estabelecer a próxima sequência. Por outro lado, ao final das mais de duas horas de exibição, o universo apresentado de fato é de fato levado a um novo e promissor patamar de desenvolvimento. E o caminho até lá, se não exatamente memorável, é pelo menos bastante divertido.


Jurassic World: Fallen Kingdom (EUA, 2018). Universal Pictures.
Direção: J.A. Bayona
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall, Justice Smith, Daniella Pineda, Toby Jones

7-pipocas

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Aventura, Críticas